Perante o que se vai vendo da inépcia governativa que nos rodeia, começam a surgir formas estranhas de criticar as estratégias que se levantam de oposição por parte dos cidadãos ou de mera crítica por parte de alguns órgãos de informação.

Da estranha concepção que Miguel Sousa Tavares tem do poder judicial já sabíamos e ele hoje reitera-a nas páginas do Expresso, de novo a pretexto dos professores, diabolizando o recurso às providências cautelares, algo que também afligiu o editorialista do DN de há alguns dias. Quase em simultâneo, Vital Moreira escrevia no Público contra o aparente excesso de zelo crítico que passou a notar em alguma comunicação social em relação ao Governo.

O que é estranho é que algumas destas figuras em vez de aceitarem que o escrutínio da acção dos governos deve necessariamente passar pelos tribunais (existem apenas para julgar os pequenos?) e pelo conhecimento do público, parecem achar que essas últimas barreiras de defesa dos cidadãos perante o Estado devem desaparecer ou comportar-se devidamente.

Claro que o mais certo é considerarem que esta é uma crítica pessoal, e não um argumento, se os confrontarmos com o que agora dizem e com o que disseram ou fizeram no passado. MST em relação à defesa dos seus (meritórios) interesses ambientais e VM em relação ao cavaquismo, quando engrossava a voz dos que apelavam às famigeradas forças de bloqueio.

Enfim, com a idade a memória vai falhando.