quintero.jpgNão sou o maior dos admiradores dos programas de Jesús Quintero porque, com um leque de entrevistados do mais colorido que a Espanha tem para oferecer, por vezes quer se ele a estrela do programa. Mas esse é um pecadilho menor, apesar de tudo. Embirro mais com a iluminação pretensiosa em chiaroscuro e os lenços que usa. Detalhes.

Mas é um homem que chama à televisão pública de Madrid personalidades e temas controversos. Em Fevereiro último, a TVE suspendeu a transmissão da sua entrevista com um outro jornalista, José Maria Garcia, porque, alegadamente, continha «insultos a teceiros». Sendo que os visados eram fundamentalmente dirigentes desportivos (quem quiser tem aqui acesso à integralidade da entrevista).

Tendo-se mantido mais ou menos silencioso sobre o acontecido, Jesús Quintero deu no passado Domingo uma entrevista ao jornal ABC onde explica com clareza aquilo que se passa não apenas por cá, como poderíamos pensar.

Passámos da censura infantil à da idade madura. Agora não se proíbe nada, não se diz a ninguém o que pode ou não dizer, mas todos sabemos o que podemos ou não podemos dizer, dependendo de onde estamos e quem nos paga. O meu problema foi que acreditava que estava numa televisão livre e paga com dinheiro público e não creio que tenha feito nada contra o público ou a democracia. (…) A minha ingenuidade fez-me comportar como se fosse livre e confundir a liberdade com a liberdade condicional. É certo que a censura se fez mais subtil e sibilina para todos os que se dedicam a isto.  (ABC, 2/Jun/2007, p. 100)

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