Domingo, 3 de Junho, 2007


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(c) Antero Valério

Por esta altura, é habitual os jornais e revistas inquirirem algumas figuras públicas e notórias sobre o que pretendem comprar na Feira do Livro. Normalmente fico agoniado com as escolhas, mas gostos não se discutem. Cada um faz as opções que se impõem no momento ou preenche as lacunas que há muito desejava tapar na sua biblioteca.

Mas uma questãoincontornável do problema das compras é a da quantia a gastar. Nos idos dos anos 80, quando era um jovem adulto afluente e sem responsabilidades, com uma biblioteca ainda em constituição, eram algumas dezenas de contos gastos a cada Feira, o que para a altura era o subsídio de férias praticamente todo, logo ali adiantado.

De há anos para cá, com falta de espaço para muito mais livros e a carteira com mais compromissos de monta, reduzi bastante o plafond. Em termos relativos o emagrecimento foi notável, também devido ao facto de agora existirem Fnac’s e Amazon’s. Este ano ao ver no na revista do Expresso que tinham dado 100 euros a gastar a quatro das tais figuras tidas por relevantes, decidi impôr-me esse mesmo limite.

E a verdade é que deu para comprar algumas dezenas de livros e revistas e ainda sobrou para umas compras extra em outras paragens, lanche e uns jornais da Europa civilizada.

Poque eu sou irremediavelmente pindérico e, qual praga da Feira, só me deixo seduzir pelas oportunidades e promoções, aquelas que ficaram de velhas falências e outras que tentam evitar novas.

Olho para a lista de compras dos notáveis (Teresa Caeiro com uma selecção bastante eclética, Possidónio Cachapa com aquisições que já devia ter feito há anos, João Gil demasiado bem-pensante e Fernando Mendes para absolutamente esquecer) e fico estarrecido: ninguém conseguiu comprar mais de 6 livros com o dinheiro que eu gastei em cerca de 25 de todos os géneros e muitos deles de qualidade a toda a prova (acho eu!!!).

Para além dos que orgulhosamente exibo lá em cima neste post ainda comprei O Homem dos Autógrafos da Zadie Smith (D. Quixote), Outras Vozes, Outros Lugares do Truman Capote (Relógio d’Água), Solidões e solidariedades dos quotidianos dos professores de José Alberto Correia e Manuel Matos (Asa, onde comprei ainda mais dois livros sobre temas conexos), para além de uma mão-cheia de álbuns clássicos de BD, uma meia dúzia de livros para a petiza (estes fora de promoção, porque ela não tem culpa da minha pinderiquice) e duas dezenas de revistas diversas compradas em banca de alfarrabista. O custo de tudo: menos de 90 euros. O mais caro foi o do Richard Sennett porque era novidade. O resto ficou tudo entre os 0,50 e os 4 euros a unidade. Fora os infantis, claro.

Agora tenho leitura para dois Verões. No mínimo.

Portanto, mesmo em tempos de crise, só não lê quem não quer.

Podia estar um Domingo mais fresquito, porque a miúda não aguenta as subidas e descidas do Parque e depois fica impaciente e a seguir é o pai que fica impaciente. E aquilo só abre mesmo a meio da tarde. E ao fim do dia não dá muito jeito porque enfim, afinal um tipo precisa de voltar para o deserto antes do sol se pôr, caso contrário perdemo-nos nas dunas.