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É sempre refrescante verificar quando a opinião pública e publicada chega com diversos anos de atraso ao conhecimento de aspectos relevantes do que faz parte do quotidiano da nossa Educação 

Desde 2001 que não se penalizam, nas provas de aferição de Língua Portuguesa dos  e 6º anos os erros de ortografia, pontuação e construção frásica na 1ª parte da prova. O aluno pode começar com minúsculas qualquer frase, ou arremedo de texto saramaguiano júnior, não usar qualquer pontuação e limitar-se a fazer cruzinhas nas respostas de escolha múltipla que não há qualquer problema. No caso do 9º ano, nas provas realizadas entre 2002 e 2004, essa explicitação da não penalização não ocorre, mas depois os critérios de correcção são algo lacunares, ou subjectivos, na forma como deve ser avaliada uma questão cuja resposta tenha insuficiências notórias, desde que apresente um sentido compreensível pelo receptor.

Pelos vistos ninguém tinha dado atenção a este detalhe. É pena.

E isto é tanto mais caricato quando depois se criticam os alunos por transitarem para o 3º CEB e Secundário com lacunas nestas áreas. As justificações adiantadas para essa não penalização são algo frágeis, pois a verdade é que o objectivo é tentar que a classificação seja mais fácil e rápida. E não chega afirmar que tudo isso é depois avaliado na 2ª parte da prova, porque também aí os parâmetros em que essas questões são avaliadas se encontram em minoria (3 em 8).

Aliás um dos problemas recorrentes nas sessões de formação das novas fornadas de professores classificadores é o choque daqueles que, nas suas aulas, procuram que os alunos obedeçam e sigam as normas da ortografia e da sintaxe e depois, enquanto classificadores, são obrigados a esquecer isso em toda uma parte das provas.

Não esqueçamos que esta foi uma das heranças duradouras – como as adaptações programáticas que acabaram com o Big Brother nos manuais do Secundário – do consulado benaventista na inovação educacional, com as suas novas visões e regulações e outros palavrões, assim como do trabalho na sombra dos gabinetes do(a)s especialistas que há décadas se incrustraram no Ministério da Educação e cujos nomes podemos encontrar quase sempre nas fichas técnicas da produção bibliográfica oficial sobre o ensino da Língua Materna.