Terça-feira, 29 de Maio, 2007


A ideia mesmo era usar o vídeo dos Clã para Problema de Expressão, mas o embedding em blogs e sites não está autorizado.

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É sempre refrescante verificar quando a opinião pública e publicada chega com diversos anos de atraso ao conhecimento de aspectos relevantes do que faz parte do quotidiano da nossa Educação 

Desde 2001 que não se penalizam, nas provas de aferição de Língua Portuguesa dos  e 6º anos os erros de ortografia, pontuação e construção frásica na 1ª parte da prova. O aluno pode começar com minúsculas qualquer frase, ou arremedo de texto saramaguiano júnior, não usar qualquer pontuação e limitar-se a fazer cruzinhas nas respostas de escolha múltipla que não há qualquer problema. No caso do 9º ano, nas provas realizadas entre 2002 e 2004, essa explicitação da não penalização não ocorre, mas depois os critérios de correcção são algo lacunares, ou subjectivos, na forma como deve ser avaliada uma questão cuja resposta tenha insuficiências notórias, desde que apresente um sentido compreensível pelo receptor.

Pelos vistos ninguém tinha dado atenção a este detalhe. É pena.

E isto é tanto mais caricato quando depois se criticam os alunos por transitarem para o 3º CEB e Secundário com lacunas nestas áreas. As justificações adiantadas para essa não penalização são algo frágeis, pois a verdade é que o objectivo é tentar que a classificação seja mais fácil e rápida. E não chega afirmar que tudo isso é depois avaliado na 2ª parte da prova, porque também aí os parâmetros em que essas questões são avaliadas se encontram em minoria (3 em 8).

Aliás um dos problemas recorrentes nas sessões de formação das novas fornadas de professores classificadores é o choque daqueles que, nas suas aulas, procuram que os alunos obedeçam e sigam as normas da ortografia e da sintaxe e depois, enquanto classificadores, são obrigados a esquecer isso em toda uma parte das provas.

Não esqueçamos que esta foi uma das heranças duradouras – como as adaptações programáticas que acabaram com o Big Brother nos manuais do Secundário – do consulado benaventista na inovação educacional, com as suas novas visões e regulações e outros palavrões, assim como do trabalho na sombra dos gabinetes do(a)s especialistas que há décadas se incrustraram no Ministério da Educação e cujos nomes podemos encontrar quase sempre nas fichas técnicas da produção bibliográfica oficial sobre o ensino da Língua Materna.

PS aprova audição [da] ministra mas só após concluído processo a Charrua

O PS aprovou hoje a audição da ministra da Educação mas só após a conclusão do processo ao professor Fernando Charrua, sob os protestos da oposição que defendia que Maria de Lurdes Rodrigues se deveria deslocar ao Parlamento com «urgência».
A discussão na comissão parlamentar de Educação em torno da audição da ministra da Educação sobre o processo disciplinar movido ao professor de Inglês e ex-deputado do PSD Fernando Charrua, por um comentário à licenciatura do primeiro-ministro, teve início com o debate de um requerimento do PSD.

O pânico nas hostes socialistas perante uma ida da Ministra da Educação ao Parlamento deve ser imenso depois das últimas prestações de Maria de Lurdes Rodrigues, sempre o enervado e o atabalhoado, quando é obrigada a sair do guião pré-estabelecido.

Assim permite-se que ela vá, quando já as coisas estiverem menos quentes e, concluído o processo e tomada a decisão, se considerem os factos em apreço demonstrados, Pelo que haverá menos margem para despistes.

Mas isto só faz sentido se já se antecipar que o processo culminará com a condenação do funcionário-professor. Porque se o mesmo for absolvido já imaginam o fartote que será?

Para além disso permanece o mistério insondável das qualidades de MLR para a pasta que ocupa, pois – vamos lá a ver se também me cai um processo em cima por delito de apreciação – normalmente apontam-se como critérios de selecção o saber técnico na área ou a capacidade de acção política.

Quanto aos aspectos técnicos, está mais do que sabido que o currículo de MLR aponta para alguns lados, não sendo nenhum o estudo ou reflexão sobre a Educação.

Quanto à capacidade política, são já muitos os episódios de perfeita inabilidade política da Minista que, para além de irritar os docentes com a sua forma rude de se exprimir para com eles, já revelou extremo nervosismo e insuficiente capacidade de resposta sempre que foi inquirida no Parlamento.

O que resta, portanto?

Perante tudo isto, interrogo-me e interrogo-me e interrogo-me e só me vem à mente um filme de Martin Ritt de 1976, um dos raros em que Woody Allen aparece apenas como actor, embora nesse caso o seu personagem actue em nome de uma justa causa.

Comissão de protecção proíbe tratamento de dados dos trabalhadores em greve

A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) proibiu “qualquer tratamento autónomo de dados pessoais, relativos aos trabalhadores aderentes a greves, por considerar ser um procedimento discriminatório”, dando provimento a uma reclamação do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (Ste) contra um despacho interno da Direcção-Geral de Impostos.
Na deliberação nº 225/2007, publicada no site da CNPD, lê-se que, “para efeitos de processamento dos necessários descontos na retribuição, os dados relativos às ausências do trabalhador por motivos de greve devem ser tratados, como até agora, de forma conjunta com os dados respeitantes a outras eventuais ausências reflectidas nos mapas de assiduidade”.
A comissão concluiu também que o conteúdo do despacho do ministro das Finanças e da Administração Pública, de 15 de Maio, não violou a Lei de Protecção de Dados, “uma vez que a comunicação do número total de trabalhadores ausentes por motivo de greve em cada serviço não permite identificar os trabalhadores em greve”.

Perante isto continuam-me a intrigar alguns pontos:

  • Será que o Min. Finanças pensava que a habilidade teria qualquer sustentação jurídica?
  • Se a coisa não tivesse sido conhecida e desautorizada em tempo útil o que teria acontecido? Os dados seriam recolhidos e…?
  • Até que ponto é possível aos funcionários públicos estabelecerem uma relação de confiança com o seu empregador-Estado que se comporta como o patrão mais prepotente?
  • Como foi que se conheceu o despacho exactamente no mesmo dia em que se fez anunciar (e desanunciar) uma renovação do congelamentos das progressões na FP?

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O actual Governo é, na minha nova opinião, o mais nacional, patriótico e tradicionalista de todos os que já tivemos.

Porquê?

Porque em vez de lutar contra as tendências tradicionais lusas da migração para as zonas litorais e para as cidades, desistiu de o fazer e cedeu de vez à inevitabilidade da desertificação do interior e da concentração populacional nas cidades, especialmente do litoral.

A única excepção é a existência de um par de SCUT’s que se destinam a poder levar alguns protagonistas a um par de oásis situados no interior beirão (que se assinalam de forma pouco criativa no mapa original a distribuir pelas escolas), onde existem diversas hipóteses de negócio e que funcionam como zonas de refúgio para amigos, familiares, professores e amigos de alguém.

(Cartografia extraída e adaptada, apressada e canhestramente, do Kaos.)