O ME avança destemidamente para uma nova fase da sua política de racionalização da rede escolar e, depois de ter triturado o 1º CEB, fazendo a dita rede recuar para níveis de há várias décadas atrás – eu sinceramente gostaria de ler agora a opinião de certos cientistas sociais que tanto criticaram outras épocas históricas por não investirem na educação e no alargamento da cobertura do território nacional – vai passar para a fatia seguinte que será o do tratamento dos 2º e 3º CEB e Ensino Secundário.

Com a desculpa da falta de condições, em Corroios vai proceder-se ao encerramento da Escola do Moinho de Maré, o que levará à dispersão de perto de meio muilhar de alunos por outras escolas. Note-se que o ME não pensa construir uma nova escola que substitua a actual, que afirma estar em más condições, mas apenas encerrá-la. As consequências para alunos (deslocação), docentes (extinção dos lugares) e órgãos de gestão (espero que sejam dos que ficaram calados nas reuniões na 5 de Outubro, pensando que iam escapar à razia) são todas negativas. A única vantagem é a poupança. Lamento a referência excessiva, mas o economista-contabilista Salazar, ditador que quase todos afirmam avesso à instrução do povinho, não chegou a tanto e até tinha orgulho em ver escolas pelo país.

Mais a norte, em Arcos de Valdevez (e agradeço a referência da notícia à Amélia Pais, que a recebeu por sua vez da Luísa Brito) o projecto é o de fundir a EB 2+3 com a Secundária do concelho. Como ainda há gente com bom senso, incluindo nas autarquias, a reacção não se fez esperar e muito bem. De acordo com o Público:

O vereador da Educação na Câmara de Arcos de Valdevez, Pedro Teixeira, ameaçou hoje avançar para os tribunais para impugnar a decisão da DREN de fundir as escolas EB 2,3 e Secundária da sede do concelho.
“Consideramos que se trata de um perfeito disparate e, como tal, estamos dispostos a tudo para travar essa intenção. Se for preciso, vamos para os tribunais”, disse o autarca à agência Lusa.
Segundo Pedro Teixeira, a intenção da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) é fundir aquelas duas escolas e criar um único agrupamento, cujo conselho executivo teria que gerir cerca de 2500 alunos, 420 professores e funcionários e 28 edifícios.
“Seria criada uma megaestrutura que vai contra todos os princípios das políticas educativas”, frisou.
Lembrou ainda que, a concretizar-se a fusão daquelas duas escolas, isso implicaria o convívio no mesmo edifício de alunos entre os 09 e os 20 anos, “idades muito díspares que, por vezes, podem dar azo a situações complicadas”.

Como se percebe as razões aduzidas são mais do que lógicas, pois é incompreensível este tipo de fusão de escolas, em especial pelos evidentes prejuízos que acarretam do ponto de vista pedagógico.

Mas eu esperaria, a breve prazo, por outras iniciativas deste tipo um pouco por todo o país, com os efeitos previsíveis: alunos subitamente enviados para outros ambientes, cada vez mais sobrelotados, docentes e funcionários a perder o seu lugar no quadro e a ficarem a meio caminho de qualquer coisinha má. No meio de tudo isto, e porque sou de maus fígados, só gostaria de saber se no próximo processo eleitoral para o Conselho dos 60 notáveis, os Presidentes de CE’s destas escolas a extinguir ou fundir, ainda serão considerados eleitores ou elegíveis.

Espero que, de uma vez por todas, os docentes – e nisso incluo os colegas em órgãos de gestão e futuros titulares – se apercebam que quase ninguém está neste momento a salvo da sanha da tutela, mesmo aqueles que pareciam ir ficar blindados contra todo o tipo de intempéries.

Só não vê…