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… o povo não faz boas nem más acções que por costume e por imitação; e raríssimas vezes se move por sistem,a nem por reflexão: será cortês ou grosseiro, sisudo ou ralhador, pacífico ou insultador, conforme for tratado pelo seu cura, pelo seu juíz, pelo escudeiro ou lavrador honrado. O povo imita as acções dos seus maiores. A gente das vilas imita o trato das cidades à roda; as cidades o trato da capital; e a capital o da corte. Deste modo, que a mocidade plebeia tenha ou não mestre, os costumes que tiver serão sempre a imitação dos que virem nos seus maiores, e não do ensino que tiveram nas escolas. Todo o ponto é que das leis do Estado estejam de tal modo decretadas, que não falte à mais ínfima classe dos súbditos o trabalho, e que se despenda nisto o que se despende nos hospitais gerais e nas confrarias. (Ribeiro Sanches, Cartas sobre a Educação da Mocidade, s/d, p. 131)