avalia.jpgNo próximo dia 18 de Maio (próxima 6ª feira) vai realizar-se uma Conferência Internacional sobre «Avaliação dos Professores: Visões e Realidades» sob os auspícios do Ministério da Educação, como iniciativa (inaugural?) da actividade pública do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores.

Distraído como sou, só dei pela nota da sua realização muito recentemente (no site do ME só apareceu ontem porquê?), o que me levanta problemas quanto a uma eventual comparência. Questões burocráticas, claro, com, eventuais reflexos na minha posterior avaliação. O que não deixa de ser irónico. É que este ano vai ser aquele em que, desde sempre, menos acções deste tipo frequentarei, pela simples razão que…

Porque o ME promove uma iniciativa em horário lectivo dos docentes (ou será que é para promover faltas à sexta-feira?), quando afirma que isso não deve acontecer, sendo que as faltas às actividades lectivas podem ter reflexos sobre a sua avaliação (a tal história dos pontos, da assiduidade, do mérito), tema exactamente da conferência. Não chega a ser confuso, apenas paradoxal.

Tal como a Conferência do Português, a realização em meados de Maio é especialmente interessante e proveitosa, caso não se conheça o planeamento das actividades normais dos docentes nesta altura do ano. Como se o ME desconhecesse que se aproximam as provas de aferição e os exames, cujos resultados o próprio ME apresenta como sendo o reflexo do trabalhos dos docentes e não dos alunos. Enfim…

Assim como se nota que é uma conferência mais para consumo interno dos próprios elementos do ME que irão funcionar como caução técnica especializada para a implementação do sistema de avaliação dos professores. Não me parece que exista margem para qualquer ligação à terra ou abertura da discussão a estranhos. Professores normais, queria eu dizer. Dos que dão aulas e não têm folga á sexta ou ocupam posições que não implicam falta, mas antes “serviço oficial”. Quanto muito espera-se que alguns soldados rasos apareçam, acenem, batam palmas.

Não se esperam grandes controvérsias, antes alguma harmonia de pontos de vista e a concordância em torno do modelo que nos querem impor. Desespero quanto à redundância das intervenções previstas da Ministra da Educação e do seu Secretário de Estado Pedreira e tenho alguma esperança quanto à possibilidade de o relator da conferência, Matias Alves, colocar o dedo em algumas feridas. Mesmo que seja só ao de leve.