Não sei quantos de vós já tiveram o prazer de ser professores aplicadores ou correctores de provas de aferição. Eu fui por dois anos (2001 e 2003) e tenho variadíssimas histórias por contar, em especial em relação à correcção. Mas fica para outra altura.

Agora vou apenas ficar-me pelas instruções – que pouco mudaram – relativas ao que um(a) aplicador(a) deve fazer. O chamado Manual do Aplicador é coisa digna, 27 páginas entre instruções gerais sobre a realização das provas e específicas sobre a conduta a ter na sala de aula. Só as partes destacadas a azul e que devem ser lidas perante os alunos que vão prestar a prova são algo épico, pela extensão e pelo que assumem de capacidade de concentração por parte de alunos do 4º e 6º anos.  

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Mas a que eu acho mais deliciosa e que não resisto a reproduzir (página 10 do documento) é aquela que usa como argumento para os alunos darem o seu melhor, o pretexto de isso ir permitir que os professores possam melhorar o seu trabalho. O que vale é que, por esta altura, a miudagem já não vai estar a ligar nenhuma. Para além de que, por serem alunos do 4º e 6º ano, se transitarem, a generalidade não voltar a ter os ditos professores e, se pensarem bem no assunto, ser para eles irrelevante dar ou não o seu melhor.

Mas tudo bem, nada como vivermos este tipo de ficções piedosas.