Segunda-feira, 7 de Maio, 2007


E o sorriso sardónico do Mário Lino nas imagens que vi em outro canal que não a RTP é uma coisa absolutamente demolidora. 

E já agora, lá vai mais disto, que os Gato Fedorento ontem estavam em dia sim:

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Não sei quantos de vós já tiveram o prazer de ser professores aplicadores ou correctores de provas de aferição. Eu fui por dois anos (2001 e 2003) e tenho variadíssimas histórias por contar, em especial em relação à correcção. Mas fica para outra altura.

Agora vou apenas ficar-me pelas instruções – que pouco mudaram – relativas ao que um(a) aplicador(a) deve fazer. O chamado Manual do Aplicador é coisa digna, 27 páginas entre instruções gerais sobre a realização das provas e específicas sobre a conduta a ter na sala de aula. Só as partes destacadas a azul e que devem ser lidas perante os alunos que vão prestar a prova são algo épico, pela extensão e pelo que assumem de capacidade de concentração por parte de alunos do 4º e 6º anos.  

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Mas a que eu acho mais deliciosa e que não resisto a reproduzir (página 10 do documento) é aquela que usa como argumento para os alunos darem o seu melhor, o pretexto de isso ir permitir que os professores possam melhorar o seu trabalho. O que vale é que, por esta altura, a miudagem já não vai estar a ligar nenhuma. Para além de que, por serem alunos do 4º e 6º ano, se transitarem, a generalidade não voltar a ter os ditos professores e, se pensarem bem no assunto, ser para eles irrelevante dar ou não o seu melhor.

Mas tudo bem, nada como vivermos este tipo de ficções piedosas.

interesse.jpgO livro não é o mais recente sobre o assunto, mas é uma óptima síntese as pesquisas empíricas em torno de alguns mitos relacionados com a vida política nas sociedades ocidentais.

E conclui que não. Que afinal os eleitores, depois de muito escrutinadas as suas intenções explícitas ou implícitas com métodos mais ou menos sofisticados, ainda votavam até aos anos 90 principalmente com base em coisas como «preferências éticas» ou «convicções», baseadas principalmente na sua visão de um modelo de sociedade preferencial.

Como explicação para a permanência do mito – que agora está tão em voga entre nós, entre algumas linhas de análise política que mandam conquistar o centro – o autor adianta, retomando diversos contributos, que a ideia de que o eleitor baseia a sua decisão num interesse pessoal parece tão evidente e óbvia, que acaba por resistir em algumas mentes à demonstração empírica do contrário.

Claro que este tipo de conclusões, a contrario sensu das “evidências” e das análises acomodadas, são quase sempre mal recebidas e desvalorizadas. E também é claro que se dirá que – e em parte é verdade – os tempos são outros e que cada vez estamos mais cínicos. Mas, de qualquer modo, eu prefiro ainda prefiro alinhas com as análises fundamentadas em estudos devidamente citados do que impressões recolhidas a partir de contextos localizados ou baseadas em agendas políticas específicas.

Aliás, a recente eleição em França ganha por alguém que se afastou claramente do centro e que apostou num discurso pouco virado para a algibeira, mas mais para a segurança e para a questão da “ordem” e da “nação francesa”, demonstra exactamente isso. Porque, gostemos ou não de Sarkozy, a verdade é que a maioria da população foi mais sensível a esse discurso do que ao de Ségolène Royal que, para além da deriva centrista, acenava de forma bem mais evidente para questões económicas e sociais.

No intervalo para almoço, na TSF (notícia a esta hora ainda sem link) ouvi Carlos Reis, o comissário da Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa, fazer uma bela lista das asneiras que envolvem o ensino do Português, desde as consequências da primazia dos ensino técnico-profissionais sobre as Humanidades ao descalabro de muitos manuais, que apresentam uma mera sucessão de recortes de textos, quantas vezes desconexos e inadequados à abordagem dos conteúdos, não esquecendo ainda que o ensino da Língua Portuguesa não passa por uma mecânica transmissão de conhecimentos sobre o funcionamento da língua.

 blue_sheep_image.jpg

Seja qual for a cor. Acho eu.