dinh.jpgSó para confirmarmos a linda situação a que se chega quando se deixam assuntos sérios – e eu qualifico a Educação como algo sério – nas mãos de quem não se deve.

A Câmara de Lisboa decidiu, há uns tempos, contratar uma empresa (a Know-How) renascida ao que parece de forma bem rápida depois de há muito estar inactiva (este post do Fliscorno é muito informativo a esse respeito), da notória socialite da linha Cascais-Lisboa, cronista por vezes, escritora de nomeada e agora também empresária Maria João Lopo de Carvalho, para assegurar as Actividades de Enriquecimento Curricular na área da Língua Inglesa. Sendo que a dita era ainda assessora da própria CML à data da celebração do contrato.

Chegamos agora ao 3º período, os compadres e as comadres zangaram-se (quando falta o pão é o que dá, mesmo nas melhores famílias…) e vai de trocar acusações: a empresária queixa-se que não lhe pagam e assim as actividades acabam; o gabinete do vereador acusa-a de sobrefacturação. Entretanto, o dinheiro para os pagamentos já terá sido alegadamente diosponibilizado pelo ME à CML.

Perante isto alega-se que 4000 crianças arriscam-se a ficar sem as tais AEC e 50 professores contratados pela empresa sem salários.

Ora em todo este imbróglio, eu gostava de saber os seguintes detalhes adicionais, a mero título de curiosidade:

  • Qual o método de selecção da dita empresa?
  • Qual o montante acordado entre as partes para a prestação do dito serviço?
  • Qual o montante pago pelo ME para financiar tais actividades?
  • Qual o valor das remunerações pagas aos(Às) professore(a)s ao serviço da Know-How?
  • Quais as habilitações académicas e qualificações profissionais desse(a)s docentes?
  • O que será que um próximo relatório deste tipo terá a considerar sobre este tipo de situações, que estão longe de se limitar a Lisboa?

É que a fazer crença dos números (sigo de novo a informação rica do Fliscorno) que se conhecem sobre o pagamento médio do ME para cada aluno (100 euros anuais), os 4000 alunos a cargo da Know-How deverão render algo como 400.000 euros. Ora se a empresa por dois períodos reclama apenas 120.000, supõe-se que ao fim de três períodos a coisa fique pelos 180.000 no máximo (uns 150.000 se acreditarmos nos valores que a CML considera válidos). O que deixa mais de 200.000 euros a abanar por aí.

Mas existem ainda outras contas a fazer. Se o valor a pagar pelas actividades do 1º período andará entre os 50.000 e os 60.000€, e se a Know-How tem 50 docentes ao seu serviço, isso significa que, no máximo dos maiores máximos – e isso seria de molde à empresa não ter lucros, o que não é credível – cada docente teria direito a receber 1000€ pelo trabalho de todo um período, ou seja de 3-4 meses. Os quais, pelos vistos, ainda ninguém terá recebido.

Em tudo isto, expliquem-me quem, afinal, fica a ganhar com o negócio: os docentes proletarizados, os alunos sob ameaça de ficarem sem as AEC? Aceita-se a melhor proposta