Terça-feira, 10 de Abril, 2007


char_graduate.gifEu devia era estar a reler o raio da tese e a preparar um pauerpóinti para a apresentar, mas a actualidade irrequieta-me. É que só agora percebi o porquê de tanta pressa em bolonhizar os cursos e a Educação. Se repararem, com o novo modelo da maior parte dos cursos, o homem já não é apenas engenheiro, nem mero dr., já é praticamente mestre, restando é saber se é mestre à moda dos Açores, que no fundo até tem tudo a ver com construção civil…

Ministério da Educação nega dispensa de 20 mil professores

Nota à comunicação social
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Em relação às notícias hoje divulgadas sobre as habilitações literárias do actual Primeiro-Ministro, tal como constantes da biografia dos Deputados publicada em 1993 pelos serviços da Assembleia da República, esclarece-se o seguinte:1. A referência, em 1993, à licenciatura em Engenharia Civil está errada e constitui um lapso ao qual o Primeiro-Ministro é completamente alheio.
2. Nas indicações curriculares fornecidas pelo então Deputado José Sócrates aos serviços da Assembleia da República, tanto na V Legislatura (1987-91) como na VI Legislatura (1991-95), foi expressamente mencionada pelo próprio a sua condição de Engenheiro Técnico e de titular do Bacharelato em Engenharia Civil.

Até pode ser que esta nota seja rigorosa. Mas também pode ser que não. Mas é fácil de saber se é ou não, a menos que o material do arquivo na AR tenha levado sumiço.

Eu explico as razões da minha dúvida e da minha crença na facilidade de a esclarecer.

parl.jpgDurante perto de dois anos (mais ou menos por alturas de 1997) pesquisei no Arquivo Histórico da Assembleia da República os elementos biográficos disponíveis sobre os deputados do período da Primeira República para uma obra que veio a ser publicada sob a coordenação do Professor Oliveira Marques. Aqui não interessa o mérito ou demérito da obra, nem o meu trabalho em tentar fazer mais de 500 biografias, em alguns casos a partir de côdeas de informação.

O que interessa é que acedi durante esse tempo ao método usado no Parlamento para coligir a informação dos deputados e senadores naquele período e, no caso dos parlamentares que resistiram à mudança de regime, durante o Estado Novo. Tudo depositado em instalações então na Avenida D. Carlos I. Agora não sei exactamente se ainda lá estão. Por tabela, e na sequência de pesquisas complementares, tive ainda acesso a alguns verbetes biográficos de deputados já do período pós-25 de Abril que consultei por mera curiosidade. Não consultei o de José Sócrates, mas vi outros.

E apercebi-me que o processo de recolha de informação é mais ou menos semelhante há 100 anos, apenas com mudança do tipo de impresso. Aos parlamentares é solicitado o preenchimento de um formulário – que uns preenchem de modo displiscente e outros de forma denodada e promenorizada, assinando no final – que depois serve de base para as publicações oficiais.

socrates8.jpgPor isso, será muito fácil encontrar nos aquivos do Parlamento tais verbetes/registos biográficos do deputado José Sócrates e confirmar se os serviços se enganaram, se apenas transcreveram a informação recebida. De qualquer modo, já em 1992, o dito deputado era tratado de forma cordial no plenário por «engenheiro José Sócrates» (se o link falhar, porque é resultado de uma epsquisa, é só procurarem na VI legislatura, sessão de 16 de Junho de 1992, p. 2518). Mas, também aqui, deverá ser um lapso do orador e efectivamente a responsabilidade não deve ser assacada ao visado.

A imagem acima foi encontrada no Abrupto e não é de obra editada pela Assembleia da República.

Claramente..
Só falta mesmo falar na RTP.

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Dispensa de funcionários ameaça entupir tribunais
Manuel Esteves

A dispensa de milhares de funcionários públicos no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) ameaça congestionar os tribunais administrativos. Isto porque os sindicatos estão a preparar-se para intervir junto das vias judiciais para travar ou, pelo menos, atrasar este processo. Quer por via de providências cautelares, quer através de recursos individuais dos trabalhadores, patrocinados pelos sindicatos, os tribunais administrativos, que geralmente já se encontram bastante saturados, não vão ser poupados durante este processo.
Isto mesmo foi confirmado pela Frente Comum e pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE). Já a FESAP admite ser mais contida, avançando apenas quando “a probabilidade de ganhar for superior a 70%” para não sobrecarregar os trabalhadores desnecessariamente.

Adorei, adorei, adorei.

Se avançam com um cilindro compressor que tudo desrespeita, incluindo a ordem jurídica do país, manipulando a informação e a comunicação social, se não definem com transparência critérios e fundamentos, há que saber resistir. Mas com inteligência. O que por vezes falta em paragens onde eu gostaria que não faltasse e que não se limitassem a funcionar sempre com as velhas baias ideológicas das “formas de luta” do outrora.

Quanto ao livro, esgotado na Amazon, está curiosamente na Fnac à venda por menos de 17€.

Curriculum de Sócrates já incluía licenciatura em Engenharia antes do curso na Independente
10.04.2007 – 09h20 PUBLICO.PT

As biografias oficiais da Assembleia da República de 1993 já apresentavam José Sócrates como licenciado em Engenharia Civil, três anos antes de o actual primeiro-ministro ter concluído a sua licenciatura na Universidade Independente, avança hoje o Rádio Clube Português.
Nos registos do Parlamento sobre o então deputado socialista eleito por Castelo Branco surgia uma licenciatura em Engenharia Civil, apesar de o actual primeiro-ministro já ter afirmado que apenas terminou a licenciatura em 1996, o que coincidiu com o exercício de funções de secretário de Estado adjunto do Ministério do Ambiente.
Nesse ano de 1993, o registo académico de José Sócrates incluía apenas um bacharelato em Engenharia pelo Instituto Superior de Engenharia Civil de Coimbra, que foi concluído no fim da década de 1970.
Desde então, José Sócrates frequentou o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e a Universidade Independente, tendo obtido aí o diploma em Setembro de 1996.
Um outro dado revelado pela investigação do RCP aponta para que um ano antes da conclusão da licenciatura, em Outubro de 1995, o então secretário de Estado adjunto do Ministério do Ambiente assumiu o título de Engenheiro no decreto de nomeação para o Governo de António Guterres publicado em Diário da República.