Terça-feira, 3 de Abril, 2007


De novo um fluxo descordenado de sinais contraditórios: ele controla ou não controla é motivo de discussão no Parlamento. Ricardo Costa afirma-se controlado, mas não tanto e não por ele(s). A Entidade Reguladora para a Comunicação Social chama jornalistas e assessores para serem ouvidos. Pena só agora e por causa deste assunto. Outras oportunidades houveram que se deixaram passar.

Por outro lado ouve-se há pouco, de novo na Sic-Notícias, Mário Crespo afirmar que num comunicado do ISCTE (que não acho em lado nenhum, em sites noticiosos ou da própria instituição) se declara que é exigida a licenciatura para a admissão num mestrado (óbvio), mas não para uma pós-graduação (mmm….). Mas não têm lá o processo do distinto aluno em causa? Logo o ISCTE que nos anos 90 tanto se distinguiu por dar guarida a tão boa gente de “certos e determinados” quadrantes políticos!

Tanta confusão quando tudo se poderia esclarecer de modo tão simples. Não se esclarece tudo de forma cabal porquê? Demora assim tanto a achar a papelada certa?

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Russ Wallace, Natural Selection

Early performance tables showed raw exam results
The first school performance tables appeared in 1992, listing schools’ GCSE results. Post-16 tables followed in 1993, and primary school tables in 1997. Tables were introduced to provide parents with more information when choosing a school, and to give schools an extra incentive to improve.

The early tables showed raw exam results. They were criticised by some for being unfair to schools with fewer able pupils.
Research shows that the most important influence on a school’s results is the achievement of pupils before they come to the school. In theory, a very good school could still get relatively low exam results, because its pupils’ attainment was low to start with.
Newspapers and other media used the newly available performance data to compile league tables. Schools with low exam results due to pupils’ previous low attainment could find themselves ranked towards the bottom of league tables. According to the National Foundation for Educational Research  some people said it could damage pupils’ confidence and the reputation of the school.

Measuring pupil progress: value added
With this in mind, from 2003 the Government began to publish value added (VA) scores alongside raw exam results. VA measures how much progress a school’s pupils make.
Exam performance is compared at the start and end of a period of schooling. Statisticians work out a median figure (middle point of the range) for pupils’ progress across the country. The school’s VA score is the difference between the average progress of pupils at a school and the median figure.
School Value Added Measures in England (Department for Education and Skills, October 2006) summed up the pros and cons of the VA measure. Schools were already used to calculating median figures, and VA is based on prior attainment – the most important influence on a school’s results.
Other influences, such as pupil poverty, are outside a school’s control. VA does not take these contextual factors into account.

The next step: contextual value added
In order to measure school performance as accurately as possible, in 2005 the Government piloted a system that allows for these factors. The results for Key Stages 2, 3 and 4 in 2006 were published on 11 January 2007.
Academics disagree over whether contextual value added (CVA) represents an improvement. Professor Stephen Gorard found that in Yorkshire it was rare for a school with poor raw results to get a good VA score, and vice versa. He argues that this means VA – like the raw figures – reflects pupils’ prior attainment, rather than the quality of a school. CVA, he says, will not solve this problem.
Professor Jim Taylor and Anh Ngoc Nguyen’s analysis argued that contextual factors can be useful in measuring a school’s progress, but schools should be measured against individual targets rather than compared with each other.

Não sou o maior entusiasta dos rankings, principalmente porque os acho mal feitos entre nós, uma coisa muito amadora, entre a publicação de dados simples e um tratamento muito limitado das variáveis. Por aqui vão-se tentando apurar metodologias para os tornar menos lineares e básicos. E como dizem que o aprender não ocupa lugar…

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Portugueses querem ver professores com mais autoridade sobre os alunos
Depois do pontapé vem o hematoma. A humilhação, a vergonha. O medo de outro pontapé. No último ano, foi assim 390 vezes. Menos uma, em que a mãe que agrediu a professora da filha foi presa. Nas outras, a autoridade dos professores não existiu. Mas devia. Para 94% dos portugueses devia. É isso que diz o barómetro DN/Marktest, em que 94% dos inquiridos dizem considerar que o governo deve reforçar a autoridade dos professores e conselhos directivos para fazer face à violência sobre os docentes.
O mau comportamento dentro da sala de aula é também uma preocupação dos inquiridos, que – quando questionados sobre a necessidade de existir um reforço da autoridade para fazer face à indisciplina dos alunos -, consideram (em 93,8% dos casos) que deve existir uma intervenção do Governo.
Homens (92,2%) e mulheres (95,3%) concordam nesta matéria, quer vivam na Grande Lisboa (95%) quer vivam no Grande Porto (95,6%), sejam da classe social mais alta (94,1%) ou da mais baixa (93,5%). Quando se analisa as idades dos inquiridos, é possível observar que entre os mais jovens – dos 18 aos 24 anos -, “só” 91,2% querem mais autoridade dos lado dos docentes, enquanto acima dos 55 anos, há 95,8% a querer mais poder para os professores. Com ligeiras variações, o mesmo se verifica quando a pergunta é: “Em sua opinião, o governo deve reforçar a autoridade dos professores e conselhos directivos escolares para fazer face à violência sobre os professores ou não?” (Ângela Marques, Diário de Notícias)

Sempre achei – e continuo a achar que a esmagadora maioria dos portugueses sãos de espírito está do lado dos professores nos problemas que afectam o seu desempenho profissional. Afinal, é deles que depende a educação dos filhos em cada vez maior escala.

A crítica aos professores, em especial a violenta do ponto de vista físico, tem origem em alguns estratos marginais ou marginalizados da sociedade que encaram o professor ainda à moda da velha música dos Pink Floyd sobre o “controle do pensamento” e não percebem que agora são professores muitos dos que então cantarolavam essa musiquinha.

A violência psicológica, aquela que está paredes-meias com o desejo de amesquinhamento dos professores na sociedade e que convive e encara bem as atitudes da actual tutela, é de outro tipo e emana de grupos sociais com qualificação académica de nível superior mas que, ou por se sentirem “acima” dos docentes em virtude do seu próprio “sucesso” ou por acharem que aqueles beneficiam de “algo” que lhes foi negado ou ao qual não tinham sequer capacidade de aceder, gostam de usar os professores como saco de pancada para animar o seu ego. Conheço casos dos dois tipos: aos primeiros é sempre necessário fazer baixar a crista e elaborarem mais do que chavões economicistas e tiradas cheias de desdém; aos segundos, apenas lamentaá-los, porque normalmente até podem ter formação académica superior mas sobra-lhes o despeito. De qualquer modo, eu considero estes estratos igualmente marginais à sociedade, pela própria posição de excepção em que se pretendem colocar, por se acharem mais esclarecidos, mais conhecedores, mais capacitados para opinar sobre o que desconhecem.

Isto vem a respeito da sondagem que hoje está a ser divulgada pela TSF e DN, na qual a esmagadora maioria, mas mesmo esmagadora, dos inquiridos declara sobre a necessidade de reforçar a autoridade dos professores, e isto inclui os próprios jovens (valores sempre acima dos 90%), para controlar a indisciplina e a violência nas Escolas.

Claro que também acho que se fossem inquiridos sobre a gradual tentativa de erosão do estatuto social dos professores ou mesmo sobre se consideram correcta a forma como têm sido tratados em termos materiais pela tutela, os resultados poderiam ser mais baixos, mas continuariam a ser maioritariamente favoráveis aos interesses dos professores.

Porque em toda esta matéria e em todo o processo desenvolvido nestes dois anos de governação, em toda a acção do ME contra os professores, laborou-se em alguns equívocos, muitas vezes de forma voluntária e consciente:

  • Antes de mais culpabilizaram-se os docentes pelos insucessos dos indicadores estatísticos educativos, nunca existindo um esforço de auto-crítica por parte da classe política e dos grupos de técnicos instaladíssimos no ME que ajudaram a promover sucessivas políticas erradas e com prioridades desajustadas. Pior, chamou-se para cargo de responsabilidade um activo apoiante de alguns dos maiores erros cometidos nos anos 90 contra a existência de qualidade e rigor na Educação e uma Ministra sem outra competência reconhecida na área do que ser docente do ISCTE, especializada em tudo menos em Sociologia da Educação.
  • Manipularam-se dados estatísticos e polvilharam-se os meios de comunicação social com dossiers que foram papagueados obedientemente, sem análise crítica quer porque os jornalistas cada vez estão menos preparados para conhecerem tecnicamente muitas matérias sobbre as quais escrevem, quer porque a investida foi no início do mandato e os órgãos de comunicação social sentiram-se submissos à nova legitimidade política que, quase todos, tinham activamente colaborado na construção.
  • Fez-se acreditar que a redução do défice orçamental passaria por controlar os gastos nos sectores mais onerosos para o erário – Educação e Saúde – e isso parece ter sido acreditado mesmo por pessoas com boas doses de conhecimentos e algo esclarecidas. O balanço foi que, na Educação e em virtude da debilidade dos docentes como grupos de pressão (não me venham com o papão dos sindicatos, que é um tigre de papel…) as coisas foram feitas de modo arbitrário, enquanto na Saúde as corporações resistiram à investida e o controle foi impossível, ao mesmo tempo que se ia gastando mais e mais em sectores verdadeiramente supérfluos do aparato estatal, como agora se percebe com os gastos com os gabinetes ministeriais.
  • Confundiu-se opinião pública com opinião publicada favorável. Ora, na minha certamente mal informada e dispensável opinião pessoal, a generalidade dos opinadores – com naturais excepções – fazem parte de um daqueles grupos que identifiquei como geradores de atitudes de desdém para com os professores por acharem que são acomodados e que não fazem mais nada porque não podem. É o modelo arrogante de Miguel Sousa Tavares e Fernando Madrinha, mas não só. Igualmente de muitos analistas da área económica e da gestão que, se tivessem vergonha e olhassem para o desempenho da economia nestes 30 anos, perceberia que foi muito pior do que o da Educação. O sector educativo pode não ter conseguido tudo o que se pretenderia mas, comparativamente, teve um desempenho bem melhor do que o sistema económico. Porque a Educação foi recuperando do atraso enquanto a Economia, mesmo com biliões de subsídios, é aquilo que sabemos.

Esta sondagem vale o que vale, como todas as sondagens. Mas vale mais do que as diatribes ministeriais e a mistificação comunicacional que desenvolveu ao longo de dois anos com a quase total conivência dos órgãos de comunicação social, jornalistas, editores e opinadores residentes (alguns destes com especiais responsabilidades nesta área), que decidiram que a classe docente era aquela que se podia sacrificar com menos custos. Médicos, advogados, juízes, farmacêuticos, engenheiros, bana, seguros, etc, etc, foram sempre encarados com maior reverência (pela opinião publicada) ou com maior ineficácia (por um poder político).

Agora, na minha opinião, é tarde para darem pelo erro, pois muito do pior já foi feito em troca de umas décimas do défice pagas mensalmente pelos docentes com centenas de euros do seu salário sacrificadas pela não progressão durante mais de dois anos e um acréscimo real de 20 a 25% do seu horário de trabalho. No entanto, mais vale tarde do que nunca, porque embora atrasado, o remorso pelo mal feito ou consentido é sempre melhor do que a inconsciência ou a insistência nesse mesmo erro, recusando a aprendizagem.

Claro que não deixa de ser irónico que todos estes sinais se acumulem quando o PM começa a ser perseguido por fantasmas do seu passado académico tão laboriosamente encenado mas que em qualquer escola básica ou secundária não passaria a prova documental de uma comissão de certificação das candidaturas a professor titular.