Noto que em alguns comentários aqui, em outros blogues ou mesmo nos espaços de discussão dos sindicatos existe a queixa quanto ao período de avaliação proposto pelo ME. Confesso que, de início e porque sempre achei errado admitir que se avaliasse novamente o que já foi antes avaliado com regras novas aplicadas retroactivamente (eu sei que me estou a repetir e já escrevi isto n vezes), pensava que o protesto era pela extensão do período que se pretendia menor.

Neurónio preguiçoso, não percebi que a queixa era a inversa, pretendendo-se que fosse avaliado todo o percurso profissional dos docentes, de modo a não prejudicar quem já fez ou exerceu, mas ultimamente não. Tem a sua razão de ser, sim senhore(a)s. Mas…

Mas, por outro lado, eu talvez preferisse, nem que seja para provocar discussão, olhar para a coisa de outra maneira. Se é verdade que o ME quer gente motivada para exercer cargos disto e daquilo e uma qualidade enorme daqui para a frente, porque para trás foi uma miséria, que tal seria se as candidaturas olhassem menos para o passado e mais para o futuro?

Que tal se a avaliação – mesmo que repescasse a experiência passada de algum modo – assentasse numa proposta de trabalho para o futuro, num projecto pessoal de trabalho pedagógico (ou de outro tipo) a implementar no futuro, tudo devidamente fundamentado?

Algo como «eu quero ser titular porque quero fazer isto e isto, desta maneira», e não «eu quero ser titular porque fiz isto e isto» !

Não sei se esta é uma ideia popular e acredito que a sua avaliação seria mais complicada do que uma grelha de pontinhos. Mas se o objectivo é mesmo melhorar o trabalho e o desempenho daqui para a frente, porque os resultados até agora (alegadamente) não têm sido bons, que tal deixarmos de basear tudo no que ficou para trás? Eu sou de História, mas preferia que me perguntassem – quando lá chegar e se estiver para isso – o que quero fazer, porquê e porque acho que isso é válido ou que sou capaz de o fazer.

Sei que é tarde para ter ideias a esta altura do campeonato, mas perdido por 95, perdido por 1000.