Agora é da ministra MLR ao Correio da Manhã, em especial sobre a gestão e requalificação do parque escolar. Eu já ando por tudo, mas há coisas que ainda me deixam espantado pela forma como a tutela se parece alhear da responsabilidade sobre  situações existentes que são da sua competência ou pela forma aparentemente despreocupada – quase à moda de uma Maria do Carmo Seabra – com que responde às questões.

No primeiro caso temos a forma como MLR demonstra todo o desconhecimento que tem sobre as deficientes condições em que funcionam muitas escolas. Ora leiamos:

Falta manutenção nos edifícios e equipamentos?
– A percepção que as escolas e o País têm é de que estamos muito aquém dos patamares mínimos de qualidade e habitabilidade. Fui a uma escola no Norte, com um corredor enorme, várias dezenas de janelas e reparei que as primeiras tinham caixilharia nova, as outras estavam velhas. O dinheiro só tinha dado para arranjar três janelas…

Pois é senhora ministra, mas será que é criando uma empresa para gerir a manutenção das escolas que se dá a multiplicação dos euros? E já agora, reparemos como é tão claramente especificado o que se vai fazer. Um verdadeiro compêndio na arte de… sei lá do quê!

A criação de uma empresa para gerir as escolas é a solução?
– Nunca houve a disponibilidade financeira para intervir de forma sistemática. Essa alteração é necessária. Já transferimos para as escolas a responsabilidade das pequenas intervenções. Agora é reorientar as prioridades de intervenção.

Que prioridades são essas?
– Intervenções de fundo e precisas, quando são evidentes, e intervenções de modernização geral.

Como por exemplo…
– Por um lado, as protecções, coberturas, janelas, canalização, casas de banho, cantinas, refeitórios, laboratórios, bibliotecas e salas TIC [de tecnologias de informação e comunicação]; por outro, a instalação de sistemas de cartões electrónicos dos alunos, sistemas de videovigilância e alarme, rede interna, modernização do equipamento informático.

E já agora que tal uma daquelas declarações em beleza que se fosse um professor a fazer seria logo apedrejado na via pública por todos os órgãos sociais da Confap? Ora aí vai:

Vamos ter alunos de pá na mão a colocar tijolos?
– Os que quiserem poderão ter uma oportunidade de experimentar. Não é nada que faça mal.

E pronto cá temos a validação ministerial da bem nossa conhecida formação especializada em IBM – a boa e velha Introdução aos Baldes de Massa, que muitos acabarão por seguir, provavelmente com a companhia de um crescente número de docentes.