Sábado, 10 de Fevereiro, 2007


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Já deixei no Anterozóide o reparo que a este brilhante – as usual – cartoon só falta a expressão, “… realizada por opção da Ministra…” no meio da questão. Acho eu que faz uma pequena-grande diferença. Quanto ao novo ECD, obviamente que não defendo a despenalização de quem o praticou. Já quanto à demissão e humilhação pública, a primeira seria tardia, mas a segunda sempre me satisfaria os maus fígados. Que os tenho, há que admitir. Para compensar a falta de mais faces para serem esbofeteadas.

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bpi.jpgbes.jpg Acho extremamente bem que as instituições bancárias que tantos lucros vão tendo mesmo em período de crise patrocinem a existência de prémios de tipo educativo. Ele é o BES com Prémio Pitágoras, ele é o BPI com o Campeonato Nacional da Língua PortuguesaMuito bem. Muito bem mesmo, sempre é dinheiro bem gasto. Aliás, há muito que acho que em Portugal quem tem dinheiro deveria mostrar um pouco mais de sensibilidade para com estas questões. Não é uma questão de obrigação ou dever moral para com a sociedade que os faz prosperar, mas uma mera demonstração de espírito cívico.

Mas, como em quase tudo, tenho as minhas reservas perante iniciativas que se ocupam mais com o brilho aparente da espuma das ondas do que com o movimento das correntes que tudo faz mexer. Instituir prémios deste tipo é apenas – ou quase – procurar facturar prestígio e notoriedade com base no que é superficial e não com o essencial. Façam o favor de apoiar as escolas que funcionam com dificuldades em zonas críticas em termos de exclusão social e então revelam mesmo interesse por promover a Educação. Isso sim seria uma belíssima ideia.

Talvez por isso mesmo, deu-me para formular algumas interrogações assumidamente demagógicas, mas que nem por isso considero descabidas, nomeadamente:

  1. Porque será que estas instituições bancárias não optam por demonstrar toda a sua boa vontade facilitando a vida das famílias, moldando sistemas de crédito para aquelas que têm mais dificuldades em pagar os créditos à habitação (é o exemplo mais óbvio) em período de alta dos juros? Absorvam lá o último aumento de 0,25% decretado pelo BCE nos empréstimos concedidos a famílias com menor rendimento per capita e estarão a ter uma óptima função de apoio social. Porque estes prémios acabam por ser bem baratos em relação aos ganhos conseguidos. É como no caso do ME a instituir um prémio de 25.000 euros depois de poupar 25 milhões.
  2. Porque será que o Ministério da Educação não revela uma acção pró-activa de modo a cativar investimento privado para o sistema educativo, nomeadamente através do estabelecimento de parcerias para apoiar projectos considerados essenciais para a melhoria dos resultados em áreas fundamentais das aprendizagens, em vez de chutarem a coisa para as autarquias e as próprias escolas? É que esperar que sejam as entidades privadas a mexer-se é demasiado cómodo. Ou será que governantes tão adeptos de modelos organizacionais  modernos e de formas de gestão eficazes, depois não conseguem aplicar esses mesmos princípios à sua própria acção? Se o Estado tem dificuldades orçamentais, que tal procurar cativar investimentos privados, por exemplo com o recurso aos mecanismos do mecenato? Seria pedir muito?