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A TLEBS continua no limbo de um Ministério da Educação incapaz de actuar com nexo, receoso de parecer fraco, mas cada vez mais abalroado pela contestação conjunta de famílias, docentes e opinadores.

Perante a investida irada, e como ninguém na estrutura política deve perceber vagamente do assunto, andam a tentar perceber o que fazer, usando tácticas dilatórias para evitar uma decisão. Nos dias pares um Secretário de Estado diz umas coisas, enquanto nos ímpares o outro dis outras. Não se percebe se é falta de comunicação ou meramente escassez de mérito político.

Pelo que o arquitecto José Nunes comunica por mail com base em informação recolhida pela jornalista Andreia Coelho do jornal Sol, todos os membros da Comissão Parlamentar de Educação concordam na suspensão da TLEBS, se possível para já em de vez. Mas o Governo tropeça nas suas próprias contradições e, para proteger egos de desautorizações, pretende-se implementar a solução ridícula de suspender apenas para o próximo ano lectivo aquilo que se quer exigir em exames do presente ano. O que é estranho. Incongruente. Disparatado, pronto!

Entretanto já existe a ameça de contestação judicial do referido exame. E como sabemos, neste particular confronto na esfera jurídica, o ME está a ser valentemente goleado em todas as frentes.

Sinceramente a mim não me interessa se a famigerada legislação aplicável é do tempo do Estado Novo. A que proibia que se cuspisse no chão também era e não é por isso que era mal pensada. Aliás esta legislação já existe há 40 anos e só agora alguém se lembrou de chamar a atenção para o facto.

O que me interessa é que a aplicação da TLEBS na situação actual é um erro enorme, principalmente do ponto de vista pedagógico, por ser um factor de imensa perturbação numa área crucial do ensino que é a Língua Portuguesa. Assim não é possível ninguém trabalhar de forma tranquila e segura nesta área. Sei o que isso é, pois ainda há um par de semanas participei em tensa discussão sobre o assunto no meu Departamento de Língua Portuguesa.

Neste momento, o ME deveria assumir com coragem uma posição. Se possível a posição, não digo única possível, mas a mais correcta.