Antes de passar à parte II da análise de alguns aspectos relacionados com os níveis de insucesso e abandono escolar, ficam por aqui duas breves notas interligadas sobre as dificuldades da promoção do sucesso escolar entre os alunos.

A primeira passa pela minha crescente dificuldade, com o passar dos anos, para conseguir transmitir aos meus alunos a mensagem de ser indispensável tentarem obter os melhores resultados que lhes seja possível. Todos os anos, por várias vezes, tento explicar, em especial nas turmas de desempenho mais frágil ou aos alunos menos motivados para o estudo e a demonstração daquilo que (eventualmente) aprenderam, que nunca devem apontar para os 50-55%, ou o mítico nível 3- (uma das coisas que mais detesto na avaliação dos dias de hoje, resultado prático da necessidade de compatibilizar uma avaliação de “sucesso” com o remorso individual dos docentes, que necessita de um qualquer sinal exterior de que essa avaliação não é bem a sério), porque qualquer falha inesperada  implica a queda para uma avaliação insatisfatória, mas sim que devem sempre almejar os 90-100% e o nível 5 porque, mesmo falhando largamente o alvo, a margem é suficiente para se obter um bom resultado. O que venho verificando é que, cada vez mais, os alunos são impermeáveis a esse tipo de discurso e passaram a preocupar-se apenas em fazer os mínimos indispensáveis para obter uma classificação positiva e cada vez são menos os que se preocupam em ir além disso.

Por outro lado, é vulgar que em escolas que praticam a publicitação dos chamados quadros de mérito, os alunos (e mesmo alguns Encarregados de Educação) se oponham à divulgação dos seus nomes (e muito mais da sua imagem) devido às consequências negativas que isso tem para o seu quotidiano escolar e para o seu tipo de popularidade, pois tornam-se objecto de chacota dos que são mais fixes e populares, que fazem gala em demonstrar a sua despreocupação pelo rendimento escolar e um manifesto desdém por aqueles que antigamente eram conhecidos por “marrões“, “filhinhos da mamã” ou “bétinhos” e que agora recebem qualificativos ainda bem menos caridosos e bem mais vernáculos nos pátios escolares. É caricato mas é verdade, a excelência e o mérito acabam por tornar-se empecilhos e por estar longe de ser desejados pela generalidade dos alunos que prefere destacar-se por outro tipo de particularidades (o telemóvel mais recente, o aparelho de mp3 de maior capacidade, o corte de cabelo mais vistoso, para não entrar em outros campos ainda mais duvidosos).

Este não é um fenómeno novo e todos nós já o conhecemos no nosso próprio passado escolar?

É certo que sim, mas é igualmente de lamentar que essa mentalidade retrógrada e complacente com a mediocridade continue como se não tivessem passado 30 anos desde que com ela convivi pela primeira vez.