A partir do A Educação Cor-de-Rosa descubro que a Associação dos Professores de Português dirigiu uma carta à Ministra da Educação (já agora, fica bem escrever por extenso o “Professora Doutora”, pelo que me ensinou um emérito professor coimbrão da velha e boa cepa) onde se enumeram as preocupações da dita Associação relativamente à implementação da TLEBS e aos efeitos da sua suspensão (ou não, já ninguém percebe).

Por aí nada de espantar. Já mais de pasmar – ou será que eu é que continuo algo ingénuo? – é a revelação dos imbrincados cruzamentos entre vários elementos dos órgãos sociais da Associação, os seus formadores “por encomenda” e, no caso da TLEBS, com membros do espaço GramáTICª da DGIDC. Quer-me a mim parecer que, apesar de me irem certamente fazer notar que tudo isto é natural atendendo à escassez de especialistas no assunto, este tipo de relações endogâmicas pode acabar em desnecessárias degenerescências. Porque é no mínimo paradoxal que uma Associação se entretenha a questionar o Ministério sobre o destino de uma iniciativa onde elementos dos seus órgãos directivos têm um interesse directo.

Pois é legítimo questionar o que está verdadeiramente em causa neste tipo de pedido de esclarecimento. Como há muito a Paula Lago tem vindo a afirmar em diversos comentários deixados em post do Umbigo, parece mesmo que tudo tem mais de negócio do que de outra coisa.

Lateralmente, não deixa de ser especialmente curioso que, depois de se anunciar que os exames do 9º ano de Língua Portuguesa só vão contemplar o que é comum à TLEBS que por aí anda e à velha Nomenclatura de 1967, agora surja anunciado que nos exames de português B do 12º ano afinal a TLEBS e algumas das suas especificidades sejam matéria destinada a avaliação (notícia do Público de ontem, por enquanto com link activo). 

O que parece é que neste momento a disputa em torno da TLEBS abandonou já o campo do debate em torno das questões linguísticas e/ou académicas, para se tornar um mero campo de luta pelo poder ou pela manutenção de posições dadas como adquiridas até há muito pouco tempo.

Perante isso, parece que a ideia é, em algumas áreas mais permeáveis à pressão, tentar instalar uma situação de facto consumado para tornar qualquer recuo o mais difícil possível.

Talvez seja uma estratégia eficaz, só me parece é que não será a mais transparente.