Graças a uma indicação da colega Amélia Pais, tive acesso ao conteúdo de uma entrevista do actual Director Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, impressa ontem no Público, onde a dado passo se pode ler: 

A TLEBS ir ser corrigida significa que os alunos que estão agora a experimentá-la estão a aprender coisas erradas?
Em princípio, não. A TLEBS, tal como qualquer outra área científica, está sujeita a avanços e em boa verdade nunca haverá uma correcta. Os termos vão ser revistos, mas isso não impede que a experiência continue, porque alguns erros só são identificados na prática com os alunos.
A formação dos docentes tem sido suficiente?
Neste momento ainda não há formação que seja passível de sustentar a introdução da TLEBS. Por isso suspendemos a sua generalização. Não valia a pena impor um instrumento com o qual as pessoas não sabiam trabalhar.
Os materiais pedagógicos já publicados contêm erros?
Se as editoras fizeram materiais antes da revisão científica final [agora encomendada a João Costa e Aguiar e Silva], provavelmente haverá ajustamentos a fazer.
Vai haver mudanças nos programas?
Os programas mantêm-se e se houver alterações não serão resultado da introdução da TLEBS, mas de actualizações ou de introdução de novas matérias.
O Ministério da Educação vai organizar uma conferência. Quando?
Vai ser este ano, mas será sobre o ensino da língua portuguesa. A TLEBS não é tudo o que existe em termos de matéria de Português, é apenas um instrumento. O comissário é Carlos Reis [actual reitor da Universidade Aberta].
Esperamos que os temas abordados possam dar contributos positivos e permitam melhorar o conjunto de procedimentos e instrumentos que se utilizam nas escolas.

Registemos a admissão do carácter assumidamente precário da Terminologia e classificação que a constitui (ontem debatia acesamente numa turma se podemos considerar “nariz” ou “orelha” como um nome humano ou não humano e “café” como contável ou não, sem termos o contexto em que surge); a deficiente (para ser caridoso) formação disponibilizada aos docentes e, por fim, a aparente ligeireza e despreocupação como a operacionalização disto tudo passou a ser encarada desde o momento em que alguns notáveis levantaram a voz contra o disparate. Vai haver uma conferência durante este ano, ao certo parece que não se sabe quando, e talvez apareçam uns contributos interessantes e depois logo se vê.

O que se pode mais dizer perante isto?
Que existe algum tipo de linha de rumo no ensino da Língua Materna, onde tão maus resultados apresentamos de forma recorrente?
Olhem que não, olhem que não!