Hoje pelas 17 horas lá ia eu a caminho dos últimos 90 minutos do dia iniciado às 10.05, para a minha aula de TIC a uma turma de Plano Curricular Alternativo do 6º ano. Desde a manhã que a aluna Mariama Seide Sitma estava a faltar pois, como sabíamos desde final do período passado, por razões de tipo familiar, estaria prestes a regressar à sua Guiné natal.

A caminho da sala lá me apareceu ela com uma amiga, perguntando-me se podia ir à aula, para despedir-se dos colegas e da Escola, depois de ir buscar um qualquer papel comprovativo necessário para ela prosseguir os estudos na Guiné.

Passados uns 20 minutos apareceu e integrou-se na sala como nas 50 aulas anteriores da disciplina e as 137 no conjunto das três disciplinas que lecciono à turma, embora sempre cabisbaixa e naturalmente triste, reagindo pouco aos encorajamentos dos colegas.

Passada a fase da exposição teórica – curta porque foi aula de regresso da turma às lides – cada um ficou a explorar a net como entendeu e a Mariama desligou o computador e veio até perto da minha mesa, acocorou-se para falar e confessou a tristeza por partir e as saudades que ia ter de mim, da turma e da Escola. Porque só voltaria a passar por Portugal episodicamente, em férias de Verão e provavelmente a caminho de Inglaterra onde deverá ir viver futuramente. A Mariama tem 14 anos, é muçulmana – foi uma bela ajuda para ensinar as bases do islamismo aos colegas – e no final do 1º período quando soube do que aí vinha, lamentava-se de nunca ter sequer namorado.

E ficou ali uns bons minutos, sem saber que dizer ela para se despedir provavelmente de vez de tudo, e eu triste por ela e por um futuro que ambos percebemos ser indesejado e incerto.

Deixei todos saírem uns minutos mais cedo para as despedidas (não me denunciem à tutela por favor, mesmo se não tenho esperanças de chegar a titular), porque ela vai sair amanhã pelas 8 horas da Portela.

E o dia acabou com um travo amargo.