A propósito de um comentário do leitor Sizandro, convém esclarecer que – felizmente – aquilo que por aqui se critica como Eduquês não é uma prática pedagógica, mas meramente um discurso relativista sobre a Educação que nos últimos 15-20 anos conseguiu influenciar alguns aspectos importantes das políticas educativas, em especial a legislação que nos anos 90 regulou a reorganização curricular e dos programas disciplinares, a avaliação e a disciplina, provocando uma enorme burocratização dos procedimentos nestas duas últimas áreas e uma atomização daquelas, contribuindo ao mesmo tempo para fragilizar a posição dos docentes ao torná-los apenas “mais um” dos agentes em presença no sistema educativo, em nome de um conjunto de princípios e conceitos aparentemente sofisticados, apresentados como multiculturalistas e emancipatórios, com recurso a um vocabulário desnecessariamente complexo e apelando a um espírito muito politicamente correcto, herdeiro directo de certas utopias soixante-huitard que consideravam ilegítima toda a forma de exercício de autoridade.

Felizmente, e graças à resistência e bom senso da generalidade dos docentes, o Eduquês só conseguiu transformar-se em prática pedagógica de forma muito limitada, mas sem que tenha deixado de condicionar e pressionar bastante o trabalho dos docentes, em especial quando serve de suporte para movimentos de ataque à classe docente, acusando-a de conservadora e insensível ao próprio espírito Eduquês.

Mas isso é assunto que merece análise mais detalhada.