Dezembro 2006


PJ teve a gentileza de me enviar esta pérola veiculada, ao que parece, no Público de hoje, de acordo com a referência que me foi dada:

Sem uma cultura que valorize o trabalho, a seriedade, o rigor, o esforço, o sacrifício, Portugal cada dia que passa se vai afundando mais. E para ajudar à missa, o ensino − que podia ser um factor determinante de aculturação − é uma vergonha e nada faz pela criação dessa nova cultura essencial à nossa sobrevivência num mundo cada vez mais competitivo. Pelo contrário, os professores são agentes activos para reforçar o arcaísmo e para destruir o que se possa ir formando de massa crítica de modernidade na sociedade portuguesa.”(José Miguel Júdice, Público, 22/12/06, p. 6)

 

Isto é aquilo que eu chamo uma bojarda, uma atoarda ao nível de um qualquer henriquino de vão de escada.

Não é que não aprecie JMJ em muito do que diz e afirma. Até sobre hotelaria, de que se tornou um emérito empresário, mostrando toda a sua multiplicidade de dons.

Só que este tipo de discurso, sem qualquer sustentação demonstrativa e com base na generalização, é de uma enorme boçalidade.

Não percebo se ele estará a pensar em algum colégio privado onde a capacidade de intervenção dos alunos é nula na condução de uma aula ou onde a criatividade só é bem-vinda se devidamente enquadrada.

 

Pelo vistos, o arcaísmo de Portugal e todos os males da Nação são culpa dos professores.

Claro que nada se deve à Justiça, sector de grande nível em Portugal, berço de todas as virtudes, área de actividade impoluta que nos últimos anos nada tem contribuído para enlamear todo o país em casos duvidosos sobre casos duvidosos, com a activa participação da classe profissional de que JMJ foi bastonário. Aliás, a classe dos advogados tem-se sempre destacado exactamente pela seriedade e rigor como se tem comportado nos últimos anos.

E exactamente durante o seu mandato.

 

E que tal se JMJ se visse primeiro ao espelho, assim como à sua classe profissional e à sua própria obra pessoal, antes de atirar pedras aos outros e de fazer generalizações abusivas deste tipo?

 

Neste caso, a prudência ficar-lhe-ia mesmo bem. Para não falar em decoro.

Paideia, um blog recente de Idalina Jorge e a sua reflexão sobre as provas de aferição.

… na sequência do conhecimento das decisões judiciais sobre a legitimidade do pagamento, como horas extraordinárias, das aulas de substituição, lá me entusiasmei eu com aquela ideia peregrina que se estivéssemos num país daqueles muito frios e apresentados como modelo, já esta equipa ministerial teria sido posta a andar. Aliás, juntando com a outra decisão judicial sobre a necessidade de repetir exames ad hoc por causa do despacho do Secretário de Estado Valter Lemos e não esquecendo as declarações da própria Ministra sobre anteriores decisões judiciais de um Tribunal dos Açores, isto seria mais do que motivo para cobrir de alcatrão e penas o trio e enviá-lo de volta para os seus lugares de origem.

Ou melhor, num desses países, os governantes que vissem tão claramente desautorizados pelos tribunais os seus repetidos desmandos e abusos jurídicos, teriam ido pelo seu próprio pé depenar uns quantos galináceos e de saco de penas debaixo do braço iriam voluntariamente para dentro do barril de alcatrão, qual história do Lucky Luke, não faltando mesmo o quarto elemento dos irmão Dalton se à minsitra e secretários de Estado, acrescentássemos o Primeiro-Ministro.

Só que por cá nada é assim, claro. Como escrevia o PJ e muito bem eu é que fossilizei a minha visão do mundo, da ética poílitca e da chamada vergonha na cara, conceito que não sei se tem cobertura académica mas que ainda há alguns tempos tinha validade.

Mas pensando bem, como vai no título, até acho que será melhor que o trio permaneça e continue, de tropeção em tropeção, a demonstrar a sua visão muito particular do quadro legal em que se movimenta e o desrespeito em que tem a ordem constitucional e legal do país quando atrapalha as suas más decisões e acções.

Se o ministério de Maria do Carmo Seabra foi particularmente patético, concentrando em poucos meses dislates ridículos, este ministério de Maria de Lurdes Rodrigues é melhor que tenha os quatro anos e tal de mandato para mostrar tudo o que vale e não vale, porque eu já começo a entrar naquela teoria do quanto pior, melhor. Se agora saísse pelo seu pé, ainda era capaz de ser saudada como exemplo para as gerações vindouras como grande exemplo de governante. Assim terá mais tempo para demonstrar a realidade inversa, a de alguém que ocupa nominalmente um cargo para desempenhar o papel de testa de ferro de uma política que foi pré-definida algures por alguém e que, quando acontecem percalços, revela imediatamente a escassez de recursos e a inabilidade de métodos usados.

Há muito que acho que para além do palco da opinião pública deve ser nas diferentes instâncias jurídicas que se deve desenvolver prioritariamente a luta dos docentes contra o novo ECD ministerial. Felizmente, alguns passos começam a ser dados nesse sentido, mas ainda há muito mais por onde continuar.

E, se bem conduzido e fundamentado, um processo de luta de base jurídica servirá dois fins: demonstrar a ilegalidade de muitas decisões arbitrárias do ME e de alguns dos seus seguidores (e em muitas escolas os atropelos á legalidade também começam a imperar) e revelar até que ponto a impreparação e falta de rigor de muitas decisões desta equipa ministerial resultam de escasso conhecimento ou de mera falta respeito pelas leis que ainda deverial reger este país.

Na Visão de hoje surge o banqueiro João Rendeiro numa entrevista como face mais visível de um conjunto de 110 empresários que pretendem mobilizar 100 milhões de euros para investir na Educação e em especial no combate ao insucesso escolar, com o aval do dito Ministério (pudera….).

A entrevista é moderadamente interessante, em especial porque procura manter-se num cuidadoso mainstream destinado a não ferir susceptibilidades, fugindo a assumir uma posição clara sobre temas quentes (a começar pela questão do número de professores) ou então dando agora uma no cravo e de pois outra na ferradura.

De qualquer modo, e à partida, esta será uma boa notícia e uma prova possível do que eu há uns dias atrás referia como sendo uma das grandes ausências no nosso sistema educativo, que é a escassa ou nula presença como mecenas, patronos ou meros beneméritos, de grandes empresários “de sucesso” do país.

Agora resta saber se filantropia será a palavra exacta a aplicar a este projecto que tem a consultoria científica de Roberto Carneiro e Marçal Grilo e que anuncia o avanço em três frentes: a da formação dos pais para compreenderem a importância do sucesso escolar dos seus educandos (eu alargaria os objectivos à formação de alguns pais para o mero respeito pela escola e pelos professores…); a do apoio às escolas, sendo que aqui se admite explicitamente que “a escola não é uma empresa” mas “um local de transmissão de conhecimentos e de formação de capital humano”, embora mais adiante pareça que têm algo a querer dizer sobre a gestão das escolas (a filantropia tem os seus limites, claro…); por fim, a do apoio aos alunos, em especial do 9º ano em programas extra-curriculares, onde surge a expressão “cápsula do empreendedorismo”, o que pode ser bom e pode ser menos bom, dependendo… Para além de que acho curto e tardio o apoio apenas ao nível do 9º ano. Importante a sério seria apoiar desde bem mais cedo, mas algum interesse haverá em querer intervir mesmo na antecâmara do mundo do trabalho.

Mas ver para crer e não descrer antes de se ter a oportunidade de apreciar a iniciativa. Claro que aparecer em destaque a expressão “a escola de hoje reproduz a desigualdade social” nas afirmações d eum banqueiro tem o seu quê de engraçado, assim como a presença de muitos promotores do Compromisso Portugal, incluindo um ou outro que de tão patriotas venderam imediatamente a sua participação nas empresas que tinham a empresas estrangeiras logo que puderam fazer lucro, pode fazer recear o pior em matéria de coerência entre retórica e prática.

Mas, repito, ver para crer, que eu não tenho nada de particularmente negativo a apontar a São Tomé, o primeiro verdadeiro céptico da nossa sociedade ocidental.

Tomara que assim fosse…

 Mas já se andou um bocadinho nesse sentido, lá isso é verdade.

Só falta o resto. E que grande é esse resto.

Afinal até parece que o Estado de Direito funciona, apesar dos entorses socráticos e outros rodriguinhos em matéria de respeito pelo enquadramento legal da actividade docente.

Tal como no caso dos exames repetidos, também agora os Tribunais colocam o Ministério da Educação sob fogo em matéria da legalidade das suas decisões, quantas vezes arbitrárias a atribiliárias (gosto desta palavra…).

Infelizmente, o combate político em torno do ECD foi semi-perdido; no entanto, há muito pasto jurídico para demonstrar como o Ministério da Educação actual é essencialmente desrespeitador da legalidade democrática do quadro legal em vigor em Portugal.

Em países normais ou quase normais isto seria motivo para imediata demissão. Por cá será razão para, findo o mandato, aparecer um qualquer retiro em prateleira dourada.

E isto, da ilegalidade manifesta das decisões às recompensas pelos serviços prestados, é um autêntica vergonha, vejamos o problema através de que lente for, excepto se for pela perspectiva do(a)s beneficiário(a)s.

Agradecendo a todos aqueles (e foram muitos) que me mandaram mails sobre o assunto.

Ao que parece, a máquina comunicacional do ME começa a mexer-se para fazer apagar a triste saga dos “portétéles”. Após umas semanas de brainstorming a solução aparente é a de atribuir as culpas a um hipotético “erro” da empresa de distribuição dos computadores que, alegadamente, terá confundido Setúbal com Santarém, o Barreiro com o Algarve e talvez a Brandoa e Massarelos com o traseiro de Judas.

Na zona onde lecciono, um jornal local (o Margem Sul) divulgou recentemente a notícia de que acima se transcreve o destaque de 1ª página, segundo a qual os computadores portáteis estão todos a caminho e de boa saúde, que nunca houve falta de nada e que tudo não passou de uma ilusão de óptica dos motoristas das transportadoras.

Confesso sempre a minha dificuldade em qualificar da melhor maneira estas completas faltas de rigor e evidentes desvios à verdade. Nos meus tempos de Escola isto era uma Mentira, Agora é qualquer outra coisa. Com sorte é uma “mentira política”, aquele tipo de falta à verdade que parece que não conta na mesma contabilidade das mentiras a sério.

Vamos lá por partes e esclareçamos então os seguintes pontos:

  1. Se o erro era da empresa de distribuição, porque será que só agora surge tal justificação, quando há já um bom par de meses que as reclamações existem?
  2. Se é verdade que os computadores foram mal distribuídos, então isso significa que houve escolas que receberam mais do que a sua conta. Ora há por aí alguém que conheça alguma escola que tenha recebido mais do que os 24 ou 25 computadores da praxe? Não??? Bem me parecia.
  3. Se corresponde à realidade dos factos esta esplicação anedótica, então porque terá sido que a muitas escolas foi dita outra coisa e foi explicado que havia escolas com o número certo de computadores onde seria necessário ir buscar aqueles que caberiam às que não tinham recebido nenhuns? Se a empresa de distribuição era a responsável pelo erro, porque não seria a tal distribuidora a emendar a asneira e se pedia a professores que levassem os seus carrinhos para ir buscar os computadores e que fossem em grupos para resolverem melhor a situação?

Vamos ser sérios e ter um pingo de dignidade em toda esta sacripância. Não vou chegar ao ponto de afirmar, como já corre célere de boca em boca, que foi a alta adesão à greve dos professores que permitiu folgar o Orçamento para pagar o resto dos portáteis. Isso já seria considerar demasiado rasteira e ignóbil a acção do Ministério em todo este imbróglio.

Para bem das partes e da minha crença na boa fé das pessoas, vou apenas acreditar que foi incompetência e que, como de costume, a responsabilidade ou culpa, morrerá solteira e virgem.

Imagem recebida graças a mail do João Santos e assinada por robgonsalves, de quem se podem encontrar aqui mais imagens.

O leitor e comentador PJ teve a simpatia de, em com comentário a um post anterior, sugerir que eu lhe fizesse uns retoques e o enviasse para o Público, na esperança frágil de o mesmo ser publicado. Respondi que talvez, mas agora confirmo que não o vou fazer porque – e sei que poderei estar errado – cada vez tenho menos apreço pelos filtros editoriais do meios de comunicação social “institucionais”.

A menos que seja sangue ou sexo, a maoria da imprensa não tem interesse em matérias controversas e mesmo a chamada imprensa “séria” ou institucional só está aberta a dar destaque à opinião de quem é Algo ou Filho de Algo. Isto não é necessariamente novo, apenas é. Basta vermos como os articulistas do regime (bem analisados numa obra recente de Rita Figueiras, Os Comentadores e os Media), bem pagos, têm sempre o seu espaço por maiores vacuidades ou ressonâncias que escrevam, enquanto os “anónimos” têm apenas direito ao seu par de parágrafos em meia página nas cartas ao director, pelo menos aqueles que são afortunados pela bem-aventurança de caírem no goto de alguém. Ainda ontem isso se verificava com a publicação de uma excelente carta de um professor em caixa baixa no canto do costume do dito Público, enquanto na página ao lado os afamados peroravam em caixa alta sobre o que é habitual perorarem, mais ou menos vírgula, sendo que a alguns artigos basta ler as primeiras linhas para se adivinhar o resto.

Ora eu para este peditório dos pobrezinhos de mão estendida nunca dei muito (da última vez lá acrescentei o facto de ser doutorando e lá me deram uma “janelinha” na Pontos nos II) e agora nem sequer quero dar nada, por manifesto enfado com este pastoso estado das coisas. Não me sinto especialmente feliz por ver a minha prosa e nome impressos em letra de forma e em papel de jornal. Por diversas razões, isso já me passou há muitos anos. Nas primeiras vezes é interessante, a partir daí é quase sempre parco alimento para a vaidade.

Mas para demonstrar de forma cabal este tipo de situação, do tratamento claramente discriminatório entre quem escreve com base no nome feito e não com o conteúdo, basta vermos o que se passou em duas situações recentes relacionadas com a Educação.

  • No primeiro caso, da discussão em torno do Estatuto da Carreira Docente, contam-se pelos dedos de uma mão os artigos que surgiram em destaque a debater o tema do lado da defesa das posições dos docentes: foram poucos, com José Gil à cabeça e poucos mais; artigos de professors foram repousando aqui e ali na habitual secção de perdidos e achados que constitui o espaço de “Cartas ao Director”; a partir do lado contrário da trincheira a máquina comunicacional ministerial colocou artigos em vários órgãos de informação, facultando dados seleccionados que apareceram em forma de notícia, embora muitas vezes não passasse da opinião institucional encapotada. Não escrevo aqui sequer no plano das entrevistas e depoimentos recolhidos ou das reportagens. Falo do espaço dado à opinião e ao respectivo destaque. Esse foi um confronto que os docentes perderam em larga escala, tanto pela quase total ausência de apoios declarados como da por+opria incapacidade de colocar opinião em destaque na comunicação social, salvo as naturais excepções.
  • Agora comparemos com o caso da TLEBS: após alguns avisos à navegação pela blogosfera e entre docentes, o rumor foi chegando a alguns notáveis que, quando mais próximos da área em causa (Maria Alzira Seixo, Vasco Graça Moura), deram voz a algumas dúvidas que existiam sobre o tema; o efeito foi multiplicador e em poucas semanas quase todo o articulistta que se preza já escreveu e opinou sobre o assunto, ajudando a um movimento de contestação que fez imediatamente o Ministério começar a sacudir as culpas do capote, enxotando-as principalmente para a ministra Maria do Carmo Seabra (olha logo para quem…) e para o secretário de Estado Diogo Feio que assinou, salvo erro, a portaria de 24 de Dezembro de 2004. E a partir de então quase que ficámos submersos em denúncias, mais ou menos fundamentadas, dos equívocos da TLEBS do cão do Miguel Sousa Tavares à economia de Cadilhe, não esquecendo os verdadeiros bons artigos sobre o assunto.

Ora muito bem, não tenho nada contra a reacção anti-TLEBS pois até comungo parte dela e cedo aqui escrevi sobre as minhas perplexidades. No entanto, acho que a importância da matéria é escassa relativamente à aprovação de um Estatuto profissional para toda a classe docente. Lamento, mas é isso que acho. A TLEBS é algo importante e que deve ser reavaliada e escrutinada pela opinião pública e publicada, mas o mesmo se deveria aplicar ao ECD. E neste caso, muita opinião publicada preferiu não se pronunciar, em alguns casos com base em algum desconhecimento do carácter técnico da discussão; ora a discussão em torno da TLEBS é bem mais específica e técnica. Do lado do Ministério da Educação em relação ao ECD saiu uma barragem de queixas quanto às “caricaturas” que foram feitas das suas propostas; quanto à TLEBS o esforço foi mínimo e deixaram no terreno, como peões para sacrifício num gambito cómodo, alguns dos proponentes da coisa e pouco mais.

Lamento muito, mas no confronto entre os debates públicos sobre o ECD e a TLEBS verificou-se com clareza que os docentes estão muito longe de ser o grupo de pressão com o poder que quiseram fazer acreditar.

Em torno de uma categoria gramatical erguem-se moinhos de ventos imensos, já quanto a uma categoria profissional deixa-se o Rocinante a pastar.É pena.

É só esperar, porque tudo o que sobe acaba por descer. Coisas da gravidade.

Para os mais distraídos poderá parecer que eu – ao expressar com frequência as minhas reservas e oposição a diversos aspectos do ECD ministerial – sou avesso à mudança e que tenho tendências demasiado conservadoras. Bem… até as tenho, mas talvez não nesse sentido. Em matéria de funcionamento do sistema educativo até quero que ele avance para algo novo, só que não sou pelo movimento pelo movimento. Se o caminho está errado mais vale ficarmos parados e esperar por achar o que nos pareça ser mais certo.

Mas isto vem a propósito de um último exorcismo desta série, o qual é relativo àquele tipo de comportamentos que prima pela defesa do que existe porque existe ou do “se sempre fiz assim, não há razão para fazer de outra maneira”. Como se vê identifico duas categorias fundamentais neste tipo de atitude:

  1. A primeira é a do conservadorismo puro e duro, a de quem acha que porque fez assim uma vez na vida, não há razão para fazer tal coisa de outra forma. E esta é uma maleita que não ataca só os menos jovens a que vou começando a pertencer, mas ataca em qualquer idade. Há uns anos tinha uma colega toda empertigada que se recusava a fazer algo de uma forma diferente, porque “sempre” tinha feito de outro modo; foi-se a ver e era o terceiro ano que dava aulas, mas já parecia ter as rotinas todas instaladas. Esta é a atitude conservadora na sua versão mais imobilista e que se baseia na aquisição de uma rotina de funcionamento – normalmente nos dois ou três primeiros anos de aulas – que passa a ser usada como fórmula. Em termos de grupo isto também acontece ao nível de disciplina, departamento ou estabelecimentos de ensino que, depois de enraízados certos hábitos, resistem imenso a modificá-los e assumem que o que era feito estava certo para todo o sempre e não precisava de nenhuma adaptação. É como se perdessem a segurança ao entrar por terreno novo e ficassem sem capacidade de orientação. Muitas vezes acabam por funcionar como (maus) exemplos da capacidade dos docentes se adaptarem a novos métodos e a novas formas de organização do seu trabalho.
  2. A segunda categoria não é muito distinta da anterior, mas apresenta-se com uma ligeira variação que a torna menos conservadora. É a daquelas pessoas que quando chegam a uma nova escola e precisam de aprender novas rotinas, argumentam sempre que “na minha escola fazia-se de outra maneira”, sendo que a escola é sempre a do(s) último(s) ano(s) lectivos e a tal “outra maneira” é tida sempre como melhor do a actual. O curioso é que, se no ano seguinte mudarem de escola, a coisa retorna só que a tal escola e a tal maneira passam a ser a da escola anterior, a qual demoraram quase um ano inteiro a assimilar. Pelo menos, é um método que apresenta alguma evolução, pois vai avançando com a mudança de escolas. Quando a pessoa passa a ficar dois ou mais anos numa colocação, este comportamento acaba por transformar-se no anterior.

Não acho que chegue a ser uma categoria dentro deste tipo de comportamento, mas não deixa de ser uma atitude com elementos comuns, aquela de alguns docentes que, por muitas críticas que dirijam ao estabelecimento de ensino em que se encontram e à sua forma de organização e direcção, nunca avançam um passo concreto – para além da verbalização do protesto nos corredores e sala dos professores – no sentido de combaterem activamente o que acham estar mal ou, em alternativa, que se afastem voluntariamente do local de trabalho onde, ao que parece, se sentem mal tratados ou obrigados a práticas das quais discordam. A inacção e o receio da mudança mascaram-se com um “mas eu já me sinto bem aqui, até gosto dos miúdos…” e tudo fica na mesma, repetindo-se a ladaínha ano após ano. A esses sempre disse que quem está mal muda-se ou faz por mudar o que está mal; quem se acomoda perde boa parte da legitimidade para protestar.

Como deverão calcular, ao longo destes anos, nem sempre mudei por querer (contratado e QZP nem sempre tem as alternativas que deseja), mas pelo menos sempre procurei não voltar aos locais que verdadeiramente desgostei (que no fundo foram apenas um par deles, sou um tipo com sorte às Escolas). Por agora vou estando bem. Quando não estiver, resmungarei apenas o essencial e ala que se faz tarde….

Graças a uma indicação do António Ferrão, tive conhecimento desta síntese em formato como que de diapositivos das ideias de Greg Alleman que se adequam de forma perfeita ao que antes aqui se escreveu sobre a diferença entre fazer reuniões e trabalhar em equipa, pois uma coisa é um grupo, outra é uma equipa.

Nem de propósito, a citação que antecede o texto em causa também me é especialment agradável e é bem elucidativa  de algumas diferenças básicas entre duas posições que por vezes se degladiam em disputas mais ou mensos acres ou apenas animadas entre os que defendem a racionalidade do fazer bem e aqueles que pretendem antes a utilidade de fazer o que está certo.  Mais do que concepções concorrentes, encontramos aqui planos diversos de abordagem da gestão dos recursos humanos: de um lado a lógica da competitividade, do outro um princípio fundamentalmente de ética social, para não me estender para a moral.

Muitas vezes os primeiros não conseguem alcançar o sentido dos objectivos e acção dos segundos, embora se considerem a si próprios líderes. O problema é que confundem liderança com autoridade (por vezes, ainda pior, com autoritarismo e discricionariedade) e, mesmo se a segunda pode ser parte importante da primeira, está longe de ser suficiente.

Todos nós já nos defrontámos com a situação dos chamados “coitadinhos“. Há de vários tipos mas eu por agora não me vou concentrar apenas naquele grupo vago de alunos que, chegada a reunião de avaliação, leva com o chamado “3-“, instituição já mítica na auto e heteroavaliação que recuso terminantemente usar, porque “coitadinho, isto ou aquilo…. como é que ele há-de conseguir?”. Sob outra perspectiva é também muitas vezes uma outra espécie de “coitadinho” (até pode ser um híbrido, mas nem sempre) o motivo que serve de pretexto às más  teorias educo-sociológicas que procuram implementar à força a Igualdade de Resultados – e não propriamente a de Oportunidades – com base nas teses que assumem a escola como um dos espaços de reprodução social ou mesmo mde reprodução de mecanismos de dominação e subordinação económica, social política e cultural. De tudo, pois.

Eu discordo profundamente dessa prática que torna os “coitadinhos” a razão fácil e politicamente correcta de quase tudo o que  se faz com “boas intenções” mas que, com a generalização arrasta tudo para o fundo. Até posso concordar com alguns dos pressupostos, mas discordo claramente de muitas das suas facetas práticas.

Comecemos por definir o “coitadinho” neste contexto e de maneira meramente empírica: normalmente é alguém que provém de um meio social e económico menos favorecido ou claramente desfavorecido, que não dispõe em casa dos mesmos meios e hábitos culturais – Bourdieu falaria em “capital cultural” – de outras crianças e jovens e que, por isso mesmo, se assume que irá obter piores resultados escolares, sendo normalmente encarado – nos livros de sociologia da educação mais corrente e em algumas teorias pedagógicas mais preguiçosas e previsíveis – como alguém que está socialmente determinado ao insucesso ou a obter comparativamente piores resultados do que o não coitadinho.

Ora bem, eu até percebo que tudo isto tem a sua validade e que são necessárias políticas activas de promoção da Igualdade de Oportunidades na Escola, o que significa dotar as Bibliotecas e Centros de Recursos Educativos dos meios para que, quem os não tem em casa, possa a eles aceder no espaço escolar: internet, enciclopédias, dicionários, livros e outros materiais de estudo e pesquisa acessíveis sem excessivas limitações ou formalidades. Ao mesmo tempo, a escola – e não só – deve estar atenta às eventuais dificuldades materiais da vida das famílias e rastrear cedo os casos que necessitem de apoio por parte da Segurança Social.

Mas a partir desse momento, a partir de um patamar em que se procuram reduzir o mais possível (eliminar é claramente utópico e a insistência nisso é contraproducente) as desigualdades entre os alunos, no plano dos meios que estão disponíveis para fazer o seu trabalho, deve deixar-se que cada um faça as suas opções, é certo que com algum enquadramento e aconselhamento, e manifeste verdadeiramente todas as suas potencialidades.

Porque eu discordo profundamente do determinismo mais ou menos forte que pretende dividir as capacidades dos alunos conforme a sua origem social. Esse é para mim o pior preconceito: assumir que alguém vai ter quase necessariamente piores resultados porque…

Entrei na Primária com 6 anos e na larguíssima maioria dos últimos 35 estive directamente ligado à instituição escolar como aluno, como professor, como observador, como aspirante a estudioso e mais recentemente como encarregado de educação. Nunca, por nunca ser, encontrei uma relação directa entre as capacidades dos alunos e a sua origem social. Dei aulas numa escola privada, onde se refugiavam alunos das classes médias-altas de Lisboa e linha de Cascais quando não conseguiam acompanhar o ritmo da escola pública e encontrei alguns dos alunos com menores capacidades de trabalho de sempre. Já dei muitos anos aulas em zonas de certa heterogeneidade socio-económica e também não encontrei trincheiras cavadas no terreno nesta matéria. No entanto, encontrei bastantes alunos que, sem um complemento de meios para trabalho em ambiente escolar, teriam naturalmente dificuldade em cumprir todas as tarefas extra-aulas que lhe eram solicitadas.

Mais do que construir teorias gerais sobre o desempenho dos alunos conforme as suas origens, seria mais interessante descer ao terreno e procurar que a essas origens menos favorecidas não correspondam escolas pior equipadas, pior apoiadas e com corpos docentes desmotivados por essa falta de condições. E no caso individual dos alunos, atentar no aluno antes de mais e depois procurar matizar isso com o seu contexto social e familiar. E nunca, se posível, confundir disrupções emocionais com incapacidades intelectuais. Por momentos, quase pareço um dos eduqueses que critico. Mas há importantes diferenças que passo a explicar.

Os teorizadores do “coitadinho” já olham para ele pela lente dos seus preconceitos. Eu procuro primeiro olhar para ele e, depois de observar o seu desempenho e se notar alguma “anomalia” negativa, tento então colocar as lentes analíticas. Se a “anomalia” é positiva prefiro continuar a observar apenas e só o aluno, sendo-me indiferente todo o resto.

Quantos colegas (alunos) e alunos meus já tive de origens humildes, com famílias em colapso, vivendo em condições precárias, cujo espírito era luminoso? E não me parece que fossem excepções; em muitos casos, a escola é para eles o escape para a realidade exterior e o espaço onde se podem expressar de forma mais livre. Agora se lhe pusermos o rótulo de “coitadinho” logo à partida, só lhe estaremos a fazer mal.

O problema é que, como um emérito professor fazia nos meus últimos tempos da licenciatura, há quem goste de saber tudo e mais alguma coisa sobre o(a)s futuro(a)s aluno(a)s (origem social, profissão dos pais, preferências políticas, notas em outros anos) para ir acondicionando as suas expectativas e, de acordo com elas, definir a sua relação com ele(a)s. E depois há um quadro mental de referência, com uma grelhazinha muito organizadinha que é necessário preencher. E isso é que distorce tudo, porque aí, por muito que se esforcem os “coitadinhos”, a Igualdade de Oportunidades já falhou na cabeça de quem vai avaliar o seu desempenho.

Assisti a casos caricatos, em diferentes níveis de ensino, em que docentes se espantavam pelos bons (ou maus) resultados de certo(a)s aluno(a)s, achando que “não podia ser, não podia estar certo” o desempenho deste ou daquela, porque então não é ele ou ela que…

E esse, repito, é o Pior Preconceito de todos. Enquanto ele persistir, não há verdadeira Igualdade de Oportunidades que resista. Quanto muito há estudos sociológicos a demonstrar o óbvio e a recomendar que se force uma Igualdade de Resultados, a qual é uma solução tão má como tantas outras fórmulas apressadas que esquecem o essencial.

Numa coisa sou obrigado a concordar com algumas vozes críticas da classe docente. Realmente nem todas as agruras e amarguras que ensombram o nosso quotidiano têm a sua origem na 5 de Outubro ou mesmo na 24 de Julho. Algumas surgem entre nós como sempre surgiram só que quando se anda sobre brasas, até parece que dói mais.

Isto vem a propósito de dois tipos de colegas – por vezes as qualidades reunem-se num só corpo – que procuram elevar ainda mais a fasquia da burocratização imposta pelas normas, despachos, portarias, circulares, decretos regulamentares ou leis que emanam da tutela.

  1. Um deles é constituído pelos fanáticos das reuniões. Não há nada que não sirva para marcar ou sugerir a marcação de uma reuniãozinha para debater a questão, o problema ou tão só e apenas o modelo do cabeçalho das fichas de trabalho. E por vezes confundem isso com trabalho de equipa. Ora, para mim, isso é exactamente a antítese do trabalho de equipa porque é a tentativa de o forçar, a bem ou a mal. O verdadeiro trabalho de equipa, mesmo tendo momentos de reunião formal, passa pelo contacto espontâneo, contínuo se necessário, mas com informalidade entre os colegas que dele necessitam e que dessa forma trabalham. Agora uma reunião para decidir se os dossiers ficam virados para a esquerda ou se os livros se arrumam da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, sendo para isso necessário ouvir todas as perspectivas sobre o tema, reflectir com muita força e empenho sobre o assunto e a prtir disso nomear uma pequena comissão para elaborar uma proposta que será apreciada numa futura reunião, embora sendo um óptimo tema para os Gato Fedorento, é coisa realmente pouco prática para uma Escola que se prenda eficaz. Mas há quem pense na inversa e há que respeitar mesmo os que aparecem em sentido contrário. Há que tentar pará-los antes que provoquem um desastre em cadeia, mas há que fazê-lo de forma gentil e desapercebida, dizem-me os mais experientes na matéria. Nunca devemos desencorajar abruptamente um(a) fundamentalista.
  2. O segundo tipo de papistas mais papistas que a dita é aquele grupo que rejubila, bate palmas e sente frémitos de emoção e prazer sempre que se adivinha, assim bem ao longe, muito ao longe, tão ao longe que podíamos bem passar sem a ver, a necessidade de criar um novo impresso para registar uma determinada ocorrência, de alterar uma linha ou o número de um parâmetro num impresso já existente ou, em casos conceptualmente mais sofisticados, reformular – reconfigurar, talvez – toda a parafernália papeleira relativa a um determinado campo de acção da burocracia escolar. A avaliação e o seu registo é um dos pastos mais férteis onde tal ruminação ocorre. Consta-me mesmo – nunca observei em primeira mão, sou poessoa de coração fraco – que há escolas em que os Conselhos Pedagógicos conseguem durar horas a discutir a minudidência mínima de uma linha a mais ou a menos num determinado espaço e se aquilo deve vir antes disto ou se isto deverá aparecer logo após aquela outra coisa que está mesmo na sequência. O requinte de certas abordagens a temáticas como se a classificação mais baixa deve ser designada como “Mau”, “Muito Fraco”, “Fraco” ou meramente um globval “Não Satisfaz” chega a conduzir a epopeias dialécticas que os sofistas gregos invejariam. E o mais divertiudo é que como “o saber é sempre um saber em contrução”, o processo não pára, mesmo quando parece que parou. Porque a “derrota” de hoje é provisória e é só carregar as baterias para nova investida.

Não é por nada, mas este(a)s colegas são aqueles que deveriam alegremente aceder a ser integrados nos quadros do funcionalismo público, daquele mais recôndito e manga de alpaca que se possa imaginar. Porque não penso que seja da Educação o seu reino. Acredito, porém, que será deles a via para a titularidade.

(c) Antero Valério

Como balanço do primeiro dia de avaliações na minha santa escola, apenas a sensação de que estamos todos mais velhos incluindo os mais novos, aqueles que agora estão na fase em que eu estive há 15 anos, por exemplo, e em que nos divertíamos e convivíamos bastante neste período. E o mais grave é que o envelhecimento é bem maior por dentro do que à vista desarmada, apesar do progresso das calvas, dos pneus, das rugas ou das cãs.

Quase tudo é por estes dias tocado com um certo temor, uma reverência perante o papel, o impresso a preencher, a justificação a dar, a cruzinha a inscrever.  As pautas que não saem porque o tinteiro acabou, a ficha-síntese onde é preciso não fazer a mínima rasura, o plano de recuperação de 4 páginas só porque o aluno foi proposto numa disciplina para um Apoio Pedagógico Acrescido, a lista dos conteúdos leccionados onde é preciso explicar que não se deu uma aula porque não se deu uma aula, não vá um henriquino estar à espreita na esquina do Ano Novo.

Em uma das minhas reuniões, a Directora de Turma tinha uma mesa de apoio só com os vários tipos de impressos, impressozinhos e impressões que é necessário laboriosamente tricotar. Claro que perante tamanha avalanche de burocracia onde, conforme Goscinny demonstrava n’O Domínio dos Deuses, a mais pequena falha numa alínea mal assinalada torna necessário recomeçar todo o processo, ninguém já quase encontra espçao ou motivo para sorrir.

Eu tento resistir, com a minha faceta de pateta alegre, arrancando tiradas do mais puro eduquês para preencher um ou outro dos 27 pontos que a acta da reunião deve mencionar, mesmo que seja para deixar a menção “nada a registar”.

O que contribui tudo isto para a diminuição do insucesso escolar? Pouco, muito pouco, um quase nada, porque nada disto modifica significativamente para melhor o que se passa numa sala de aula, num agregado familiar ou na cabeça de todos os envolvidos. A não ser um imenso tédio, uma neblina mental que se instala, ousaria quase afirmar que um insustentável desencanto do ser, não fosse a tirada profundamente xaroposa.

Se a ideia era D. Sebastião regressar no mais espesso cinzentismo matinal, poderia bem ter aproveitado a manhã de hoje em muitas das escolas que temos.

Materiais para posterior aproveitamento:

  • Maurice Kogan, “Teacher Professionalism and Accountability”, texto curto mas muito interessante principalmente seu no início onde se (d)escreve como a partir de dado momento os docentes passam a ser formados de maneira a acharem natural que o Estado interfira no seu trabalho e o condicione, através de manobras de ocultação ou descrédito sobre tudo o que é desfavorável às suas medidas. qualquer semelhança com a nossa situação actual não é pura coincidência.
  • Texto já não muito recente (1989), mas igualmente proveitoso, de Ronald Boyd sobre uma possível metodologia a adoptar para uma correcta avaliação dos professores. Não deixa de ser curiosa a perspectiva – que acaba por ser coerente com algumas correntes pedagógicas ainda em voga por cá, mas só aplicadas à avaliação dos alunos – de tornar a avaliuação uma estratégia proveitosa para avaliador e avaliado; mais interessante ainda a lista de quatro preocupações dos professores em relação a todo o processo.
  • Por fim os conselhos de uma docente aos novos colegas sobre a melhor forma de se desenvolverem como profissionais e serem solucionadores de problemas. Claro que das sete propostas, muitas delas se vão tornando por cá inexequíveis, em especial porque implicam gasto de tempo em pesquisas, comparência a seminários e leitura. Tudo isso para o novo ECD ministerial inexiste ou deve ser feito como actividade recreativa da responsabilidade do docente, pois não devem obedecer a critérios de boa gestão do tempo ou contribuirem para qualquer mérito, o qual, já se sabe, passa quase só por dar aulas, muitas aulas. Lá dizia o outro “trabalho, muito trabalho”.

Depois de tanto sermos martelados com o exemplo nórdico, agarro na publicação O Mundo em 2007 da responsabilidade do The Economist que saiu este fim de semana com o jornal Vida Económica (eu sei, ando com leituras estranhas, mas garanto que bato três vezes com a cabeça na parede logo que cheguei a casa) e não é que encontro na página 42 um artigo com o título “Adeus ao modelo nórdico”, do qual vou extrair esta passagem que me deixa a pensar que, afinal, há problemas no Paraíso escandinavo:

A preocupação é que, quando se analisa um país de perto, verifica-se ser extremamente difícil de copiar ou então apresenta sérios defeitos, ou ambos. Consideremos o principal par da actualidade: Finlândia e Dinamarca. Os Finlandeses surgem no topo da tabela, ou muito perto, em quase todos os campeonatos, em áreas como a educação, segurança social, competitividade e tecnologias. A Dinamarca é excepcional na Europa, graças aos seus recordes de emprego e pela facilidade na implementação de novos negócios.
Todavia, a Finlândia depende grandemente da saúde de uma empresa, que é responsável pela capitalização do mercado bolsista em cerca de 5% do PIB. A Dinamarca tem sido particularmente bem sucedida na criação de empregos, nas tem-se mostrado acerrimamente contra a a imigração, quase um país xenófobo. Em ambos os países, tal como nos restantes países nórdicos, há muitos murmúrios sobre os elevados impostos e sobre um Estado intumescido e ineficaz.

O quê???? Será que por cá alguém ouviu isto. Nomeadamente o senhor engenheiro? “Estado intumescido e ineficaz“? Mas então não era suposto que andássemos a imitá-los? E afinal até parece que não somos assim tão diferentes!

E o que dirão os “liberais” quanto ao peso dos impostos, que isso sim já todos sabíamos serem a doer por aquelas bandas?

Será que o autor do artigo, John Peet, editor para a Europa da revista, é um perigoso anti-liberal, quiçá porventura um docente português infiltrado na alta roda do jornalismo económico europeu?

(c) Antero Valério

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