Ninguém nasce excelente. Toda a forma de excelência supõe a mestria de saberes, de saber fazer, de técnicas específicas. Fruto de uma aprendizagem de base, esta mestria é em geral conseguida e desenvolvida com o preço de um trabalho constante de treino ou aperfeiçoamento. Uma parte das aprendizagens de base que conduzem à excelência começa numa escola, por vezes desde a escolaridade obrigatória. Mas nenhuma escolaridade garante a escolência!

Uma formação escolar dá pelo menos as qualificações requeridas para se envolver decentemente na prática. A maioria dos grandes artistas, dos grandes profissionais, dos grandes campeões não se aproximam da excelência antes de se tornarem os seus próprios mestres. Se a excelência não é irremediavelmente solitária, ella situa-se em geral para além do que se pode ensinar. 

(Philippe Perrenoud, “Anatomie de l’Excellence Scolaire” in Autrement, 1987, p. 95, disponível também aqui, tradução minha sem grandes requintes)