… na sequência do conhecimento das decisões judiciais sobre a legitimidade do pagamento, como horas extraordinárias, das aulas de substituição, lá me entusiasmei eu com aquela ideia peregrina que se estivéssemos num país daqueles muito frios e apresentados como modelo, já esta equipa ministerial teria sido posta a andar. Aliás, juntando com a outra decisão judicial sobre a necessidade de repetir exames ad hoc por causa do despacho do Secretário de Estado Valter Lemos e não esquecendo as declarações da própria Ministra sobre anteriores decisões judiciais de um Tribunal dos Açores, isto seria mais do que motivo para cobrir de alcatrão e penas o trio e enviá-lo de volta para os seus lugares de origem.

Ou melhor, num desses países, os governantes que vissem tão claramente desautorizados pelos tribunais os seus repetidos desmandos e abusos jurídicos, teriam ido pelo seu próprio pé depenar uns quantos galináceos e de saco de penas debaixo do braço iriam voluntariamente para dentro do barril de alcatrão, qual história do Lucky Luke, não faltando mesmo o quarto elemento dos irmão Dalton se à minsitra e secretários de Estado, acrescentássemos o Primeiro-Ministro.

Só que por cá nada é assim, claro. Como escrevia o PJ e muito bem eu é que fossilizei a minha visão do mundo, da ética poílitca e da chamada vergonha na cara, conceito que não sei se tem cobertura académica mas que ainda há alguns tempos tinha validade.

Mas pensando bem, como vai no título, até acho que será melhor que o trio permaneça e continue, de tropeção em tropeção, a demonstrar a sua visão muito particular do quadro legal em que se movimenta e o desrespeito em que tem a ordem constitucional e legal do país quando atrapalha as suas más decisões e acções.

Se o ministério de Maria do Carmo Seabra foi particularmente patético, concentrando em poucos meses dislates ridículos, este ministério de Maria de Lurdes Rodrigues é melhor que tenha os quatro anos e tal de mandato para mostrar tudo o que vale e não vale, porque eu já começo a entrar naquela teoria do quanto pior, melhor. Se agora saísse pelo seu pé, ainda era capaz de ser saudada como exemplo para as gerações vindouras como grande exemplo de governante. Assim terá mais tempo para demonstrar a realidade inversa, a de alguém que ocupa nominalmente um cargo para desempenhar o papel de testa de ferro de uma política que foi pré-definida algures por alguém e que, quando acontecem percalços, revela imediatamente a escassez de recursos e a inabilidade de métodos usados.

Há muito que acho que para além do palco da opinião pública deve ser nas diferentes instâncias jurídicas que se deve desenvolver prioritariamente a luta dos docentes contra o novo ECD ministerial. Felizmente, alguns passos começam a ser dados nesse sentido, mas ainda há muito mais por onde continuar.

E, se bem conduzido e fundamentado, um processo de luta de base jurídica servirá dois fins: demonstrar a ilegalidade de muitas decisões arbitrárias do ME e de alguns dos seus seguidores (e em muitas escolas os atropelos á legalidade também começam a imperar) e revelar até que ponto a impreparação e falta de rigor de muitas decisões desta equipa ministerial resultam de escasso conhecimento ou de mera falta respeito pelas leis que ainda deverial reger este país.