PJ teve a gentileza de me enviar esta pérola veiculada, ao que parece, no Público de hoje, de acordo com a referência que me foi dada:

Sem uma cultura que valorize o trabalho, a seriedade, o rigor, o esforço, o sacrifício, Portugal cada dia que passa se vai afundando mais. E para ajudar à missa, o ensino − que podia ser um factor determinante de aculturação − é uma vergonha e nada faz pela criação dessa nova cultura essencial à nossa sobrevivência num mundo cada vez mais competitivo. Pelo contrário, os professores são agentes activos para reforçar o arcaísmo e para destruir o que se possa ir formando de massa crítica de modernidade na sociedade portuguesa.”(José Miguel Júdice, Público, 22/12/06, p. 6)

 

Isto é aquilo que eu chamo uma bojarda, uma atoarda ao nível de um qualquer henriquino de vão de escada.

Não é que não aprecie JMJ em muito do que diz e afirma. Até sobre hotelaria, de que se tornou um emérito empresário, mostrando toda a sua multiplicidade de dons.

Só que este tipo de discurso, sem qualquer sustentação demonstrativa e com base na generalização, é de uma enorme boçalidade.

Não percebo se ele estará a pensar em algum colégio privado onde a capacidade de intervenção dos alunos é nula na condução de uma aula ou onde a criatividade só é bem-vinda se devidamente enquadrada.

 

Pelo vistos, o arcaísmo de Portugal e todos os males da Nação são culpa dos professores.

Claro que nada se deve à Justiça, sector de grande nível em Portugal, berço de todas as virtudes, área de actividade impoluta que nos últimos anos nada tem contribuído para enlamear todo o país em casos duvidosos sobre casos duvidosos, com a activa participação da classe profissional de que JMJ foi bastonário. Aliás, a classe dos advogados tem-se sempre destacado exactamente pela seriedade e rigor como se tem comportado nos últimos anos.

E exactamente durante o seu mandato.

 

E que tal se JMJ se visse primeiro ao espelho, assim como à sua classe profissional e à sua própria obra pessoal, antes de atirar pedras aos outros e de fazer generalizações abusivas deste tipo?

 

Neste caso, a prudência ficar-lhe-ia mesmo bem. Para não falar em decoro.