Ao que parece, a máquina comunicacional do ME começa a mexer-se para fazer apagar a triste saga dos “portétéles”. Após umas semanas de brainstorming a solução aparente é a de atribuir as culpas a um hipotético “erro” da empresa de distribuição dos computadores que, alegadamente, terá confundido Setúbal com Santarém, o Barreiro com o Algarve e talvez a Brandoa e Massarelos com o traseiro de Judas.

Na zona onde lecciono, um jornal local (o Margem Sul) divulgou recentemente a notícia de que acima se transcreve o destaque de 1ª página, segundo a qual os computadores portáteis estão todos a caminho e de boa saúde, que nunca houve falta de nada e que tudo não passou de uma ilusão de óptica dos motoristas das transportadoras.

Confesso sempre a minha dificuldade em qualificar da melhor maneira estas completas faltas de rigor e evidentes desvios à verdade. Nos meus tempos de Escola isto era uma Mentira, Agora é qualquer outra coisa. Com sorte é uma “mentira política”, aquele tipo de falta à verdade que parece que não conta na mesma contabilidade das mentiras a sério.

Vamos lá por partes e esclareçamos então os seguintes pontos:

  1. Se o erro era da empresa de distribuição, porque será que só agora surge tal justificação, quando há já um bom par de meses que as reclamações existem?
  2. Se é verdade que os computadores foram mal distribuídos, então isso significa que houve escolas que receberam mais do que a sua conta. Ora há por aí alguém que conheça alguma escola que tenha recebido mais do que os 24 ou 25 computadores da praxe? Não??? Bem me parecia.
  3. Se corresponde à realidade dos factos esta esplicação anedótica, então porque terá sido que a muitas escolas foi dita outra coisa e foi explicado que havia escolas com o número certo de computadores onde seria necessário ir buscar aqueles que caberiam às que não tinham recebido nenhuns? Se a empresa de distribuição era a responsável pelo erro, porque não seria a tal distribuidora a emendar a asneira e se pedia a professores que levassem os seus carrinhos para ir buscar os computadores e que fossem em grupos para resolverem melhor a situação?

Vamos ser sérios e ter um pingo de dignidade em toda esta sacripância. Não vou chegar ao ponto de afirmar, como já corre célere de boca em boca, que foi a alta adesão à greve dos professores que permitiu folgar o Orçamento para pagar o resto dos portáteis. Isso já seria considerar demasiado rasteira e ignóbil a acção do Ministério em todo este imbróglio.

Para bem das partes e da minha crença na boa fé das pessoas, vou apenas acreditar que foi incompetência e que, como de costume, a responsabilidade ou culpa, morrerá solteira e virgem.