Depois de tanto sermos martelados com o exemplo nórdico, agarro na publicação O Mundo em 2007 da responsabilidade do The Economist que saiu este fim de semana com o jornal Vida Económica (eu sei, ando com leituras estranhas, mas garanto que bato três vezes com a cabeça na parede logo que cheguei a casa) e não é que encontro na página 42 um artigo com o título “Adeus ao modelo nórdico”, do qual vou extrair esta passagem que me deixa a pensar que, afinal, há problemas no Paraíso escandinavo:

A preocupação é que, quando se analisa um país de perto, verifica-se ser extremamente difícil de copiar ou então apresenta sérios defeitos, ou ambos. Consideremos o principal par da actualidade: Finlândia e Dinamarca. Os Finlandeses surgem no topo da tabela, ou muito perto, em quase todos os campeonatos, em áreas como a educação, segurança social, competitividade e tecnologias. A Dinamarca é excepcional na Europa, graças aos seus recordes de emprego e pela facilidade na implementação de novos negócios.
Todavia, a Finlândia depende grandemente da saúde de uma empresa, que é responsável pela capitalização do mercado bolsista em cerca de 5% do PIB. A Dinamarca tem sido particularmente bem sucedida na criação de empregos, nas tem-se mostrado acerrimamente contra a a imigração, quase um país xenófobo. Em ambos os países, tal como nos restantes países nórdicos, há muitos murmúrios sobre os elevados impostos e sobre um Estado intumescido e ineficaz.

O quê???? Será que por cá alguém ouviu isto. Nomeadamente o senhor engenheiro? “Estado intumescido e ineficaz“? Mas então não era suposto que andássemos a imitá-los? E afinal até parece que não somos assim tão diferentes!

E o que dirão os “liberais” quanto ao peso dos impostos, que isso sim já todos sabíamos serem a doer por aquelas bandas?

Será que o autor do artigo, John Peet, editor para a Europa da revista, é um perigoso anti-liberal, quiçá porventura um docente português infiltrado na alta roda do jornalismo económico europeu?