A questão merece outro desenvolvimento, mas aqui fica apenas para registo já que vou oferecer à escola pelo menos meia dúzia de horas não remuneradas a desmanchar uma Feira do Livro, contabilizar as vendas, reempacotar os cartapácios, contactar as editoras para a devolução do material não vendido e tudo aquilo que muitos colegas fazem nesta altura do ano.

Mas depois de um voo rasante sobre comentários ne textos em outras paragens, gostaria de deixar aqui as minhas dúvidas sobre a validade de dar a predominância ou superioridade a alguém no processo educativo. A moda das últimas décadas é tornar o aluno o centro desse processo, alegando que sem ele o professor perde a razão de existir; há quem resista afirmando que sem professor também não há aluno, pois se não existir quem transmita o conhecimento é irrelevante se existe ou não quem o queira receber.

No meu caso não gosto de nenhuma das teorias porque implicam uma hierarquia valorativa. Prefiro que se concebam os papéis como diferentes, cada um dos nquais com os seus atributos, direitos e deveres, sendo para mim claro quem deve deter o exercício preferencial da auctoritas para que tudo funcione, o que significa necessariamente uma superioridade, mas apenas uma necessidade prática.

Prefiro considerar que no centro de tudo deve estar o conhecimento, o corpo de saberes que são transmitidos e sem os quais é que nem professor nem aluno fazem sentido. Os construtivistas poderão argumentar que esses saberes – ou competências – se podem construir em cooperação, sem necessidade de um professor. Pois, se quiserem voltar à Idade da Pedra e redescobrir o fogo e a roda a cada geração que passa, só para negarem o papel indispensável dos professores, estejam à vontade e sirvam-se.

Eu, por mim, prefiro desfrutar de algumas vantagens da evolução social e cultural e não ter de andar por aí à traulitada aos animaizinhos para comer e a apanhar valente diarreias por errar na escolha das bagas certas.

Mas, já agora e para finalizar, fica ainda uma outra dúvida que me assalta: então e quando o professor também é aluno? Eu estive nessa situação em muitos dos últimos 15 anos? Ali sou superior, mas acolá já sou inferior?