Ouço na TSF que uma equipa de investigadores do ISCTE – de onde haveria de ser? – quase que aposto que formada por sociólogos renomados ou aspirantes a, dilectos colegas de instituição da actual Ministra, chegou à conclusão, após um estudo em 4 escolas (4!!!) que os alunos de origem socio-económica mais favorecida, em escolas melhor equipadas e com pessoal docente mais estável têm níveis de insucesso escolar muito menores do que os de origem mais desfavorecida, com um certo peso das chamadas minorias étnicas e culturais e que andam em estabelecimentos pior equipados e com um pessoal docente mais flutuante. Parece que até imaginaram uma qualificação original para o fenómeno: “guetização escolar”.

Caramba, que realmente isto é uma coisa que só se sabe estudando muito, mesmo muito, se possível com um subsídio da FCT para fazer o estudo e pagar o trabalho de campo aos estagiários!!!

Mas então esperavam o quê? Que a Lua nascesse de manhã? Mas será que isto não está mais do que demonstrado há décadas e décadas?

E já agora, o que será de esperar de uma maior liberalização do ensino, nomeadamente na capacidade das famílias escolherem as escolas e destas seleccionarem os seus alunos? Está-se mesmo a ver que a “guetização” desaparecerá num instante, que as escolas em zonas problemáticas ficarão com corpos docentes estáveis e os equipamentos rejuvenescerão como que por um passe de mágica e as taxas de insucesso e abandono escolar cairão que nem tordos nestas zonas.

E agora entra o coelhinho da Páscoa em cena, com ovinhos fresquinhos, acabados de pôr pelas renas do Pai Natal.

Haja paciência.