No Doc Log, Leonor Areal faz uma muito aprofundada síntese da discussão em torno da TLEBS parecendo concluir que afinal toda esta reviada de indignação tem pouco fundamento.

Pode ser que sim e que até alguns colunistas não percebam exactamente do assunto ou que tenham agora chegado à pressa ao tema, por parecer bombo fácil de bater.

Quanto a isso não me vou pronunciar por agora, pois me falta substância suficiente para entrar afoito e demonstrar que a TLEBS enquanto construção intelectual opu instrumento para o ensino e aprendizagem da nossa língua é um perfeito disparate, mesmo se há coisas que me parecem serem-nos e outros mais diplomados do que eu na matéria o parecem confirmar.

Mas deter-me-ia brevemente pelo menos na questão do processo, na forma como tudo isto tem decorrido na sua prática, primeiro com a tentativa voluntarista de generalização da “experiência” e depois no seu recuo em diversas das frentes de batalha abertas, porque tudo isso tem consequências profundamente nefastas nas Escolas.

Antes de mais, sendo a TLEBS uma terminologia e não uma gramática ou mesmo um programa de conteúdos disciplinares, conviria perceber até que ponto a portaria de 1488/2004 de 24 de Dezembro se insere no quadro legal que orienta a acção dos professores de Língua Portuguesa. Se não se substitui ao programa, supõe-se que é para aplicar em função desse mesmo programa, conforme as necessidades. Mas então o que é que exactamente se aplica a cada nível de ensino? E como se faz para que os alunos não deitem fora os seus manuais, onde as matérias se encontram expostas de outra forma?

E já agora como ficamos em relação àquela que eu considero ser a crítica mais pertinente à TLEBS ou seja, se ela estará verdadeiramente pensada para os Ensinos Básico e Secundário, nomeadamente aquilo que deve ser leccionado a cada um desse níveis.

Que a TLEBS não é um programa disciplinar, é certo, mas talvez fosse boa ideia que a sua generalização fosse pensada em articulação com um reajuste, no mínimo, dos programas e dos manuais que entretanto vão – ou não – sendo feitos sobre areias movediças.

E as coisas deveriam seguir uma ordem lógica que, para mim, seria a conclusão da TLEBS com as suas experiências-piloto para determinar a necessidade de acertos, a reformulação dos programas dos diversos níveis de ensino de Língua Portuguesa, a produção de materiais de apoio acima do nível da manta de retalhos puída e então a sua generalização seguindo um roteiro e um calendário.

Só que tudo se está a passar ao contrário. Será que estamos a fazer barulho para nada? Acho que não, acho que não, porque independentemente do acerto ou desacerto das críticas dos literatos, fica a muitíssimo importante questão prática da forma como a implementação da TLEBS está ser feita. Ou a não ser feita, já nem sei bem.