Já aqui repetidamente escrevi sobre o que acho ser a mais completa campanha de manipulação informativa deste governo e talvez uma das mais eficazes da história do nosso regime actual: com efeito, acho que o aparelho de comunicação colocado ao serviço do Ministério da Educação faz empalidecer por comparação aquelas tacanhas tentativas de criar uma Central de Comunicação no tempo do governo Santana/Portas.

Também já destaquei o facto de achar que, entre outros poisos, a revista Visão tem sido uma das publicações que de forma mais cordata tem acolhido esse tipo de intervenção. Hoje gostaria de acrescentar que talvez mais do que a Visão seja boa parte do grupo a que pertence a estar associado às actuais políticas na área educativa, como se viu pela entrevista (?) feita na Sic-Notícias à titular da pasta e a detalhes que vão polvilhando, por exemplo, o Expresso, como hoje no seu caderno Actual.

Se tiverem a gentileza de abrir o dito suplemento na página 18 encontrarão no balanço semanal em alta a Ministra da Educação e, nem de propósito, logo ao lado a Texto Editora.

As razões adiantadas para esses posicionamentos não deixam de ser curiosas: MLR está em alta porque a Fundação Gulbenkian, pela mão de Marçal Grilo, decidiu oferecer 450.000 euros para apoiar o Plano Nacional de Leitura. A Texto Editora está em baixa porque decidiu acabar com a revista Pontos nos ii, devido, de acordo com a opinião do seu até agora director Santana Castilho, ao incómodo que certas opiniões que veiculava estavam a produzir junto da própria Ministra da Educação.

Isto significa que MLRodrigues está em alta por algo que não fez, pois limita-se a receber a tença da Gulbenkian e nisso não há especial mérito, mas não surge em baixa por, ao que parece, ter estado na origem da decisão de uma editora fechar uma revista para evitar dificuldades, visto ser fundamentalmente uma editora de manuais escolares e outros materiais destinados às escolas e a um mercado específico (alunos, professores, encarregados de educação), onde os ditames do ME são de importância fulcral.

Já agora fica aqui republicado o texto escrito a 13 de Janeiro exactamente a propósito do aparecimento desta revista, assim como da 2 Pontos, com a qual não me voltei a cruzar:

Os professores têm andado em bolandas, atirados daqui para ali, desrespeitados e mal pagos, obrigados a fazer o que o seu Estatuto profissional não prevê, mal defendidos pelos seus sindicatos e apresentados como os maus da fita à opinião pública.
Mas, de repente, surgem revistas em sua aparente defesa, dando-lhes algum espaço para as suas palavras.
O problema é que, se formos á ficha técnica, estas revistas são dominadas pelas duas grandes editoras de manuais do mercado (Porto e Texto).
E, minhas amigas e meus amigos, não há revistas que fiquem de borla.

Um tipo já anda há demasiado tempo nisto para se dar ao luxo de ser ingénuo.