Neste «clima» foi fácil a proliferação de elites, facilmente dominadas por interesses específicos, sem visão global e modernizante da continuidade da nossa missão histórica. Foi fácil a algumas dessas elites estrangeirarem-se pela subordinação, importando, com atraso, «modas» com que conviveram noutros Países ou viveram em tertúlias. As elites dominantes tenderam a ser «imitativas», defensivas dum status quo, em vez de «inovadoras» e agentes da mudança necessária.Por isso nunca se interessaram por definir e fazer prevalecer um modelo integrado de desenvolvimento para o nosso País, agindo com lentidão perante o divórcio da Escola e do Trabalho, das Universidades e das Empresas e satisfazendo-se com as caricaturas de Portugal como «País de analfabetos» ou como «País de Doutores». Facilmente, pois, se compreende a passividade colectiva perante a mistura de modelos educativos incompatíveis como o napoleónico-latino e anglo-saxónico, a importação de anos cívicos, o endeusamento do misterioso e inacreditável Plano na Constituição, para cair repentinamente em liberalismos selvagens… (J. Veiga Simão, “A Importância das Elites” in Colóquio, Educação e Sociedade, nº 7, 1994, p. 134)

E aqui está o dedo em muitas das feridas nacionais: a incipiência intelectual das elites, a sua mera reacção às conjunturas, a imitação acrítica de modelos externos, a oscilação entre modelos sociais contrastantes e antagónicos, e tudo o mais…

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