O leitor e comentador Henrique Q. lançou-me o desafio de apresentar as minhas ideias sobre a forma como a Escola se deve organizar, quais os seus objectivos, quais as responsabilidades dos seus actores e que forma de avaliação, supondo eu que se palica a docentes e à própria organização escolar. Suponho que o faz devido ao facto de me considerar demasiado crítico do que se quer implementar e talvez demasiado agarrado ao que existe.

Não vou ser arrogante ao ponto de achar que tenho resposta certeira e preparada para tudo, mas também não vou ser falsamente modesto e afirmar que nunca me passou pela cabeça tal assunto. Tenho algumas ideias sobre o tema, as quais procurarei apresentar num conjunto de textos sobre os aspectos que acho mais relevantes, nomeadamente a questão da autonomia das escolas, do combate ao insucesso e abandono escolar, ao papel de docentes e encarregados de educação nesse processo e mesmo quanto à formação dos docentes e à avaliação do seu desempenho, não necessariamente por esta ordem e muito possivelmente com diversas adendas que já neste momento me ocorrem.

Como não quero parar com a análise do ECD governamental, e as minhas 28 horas na Escola são para cumprir (mais as horas extra de reuniões e outras actividades dentro e fora da Escola) é possível que a coisa se prolongue durante uns dias.

De qualquer modo gostaria desde já de sublinhar que as minhas ideias são apenas o resultado dé um contacto empírico com o quotidiano escolar que vai em cerca de 35 anos, com pontuais interrupções, pois entrei na Primária em 1971 e desde então nunca estive muito tempo afastado da instituição escolar, como aluno ou como professor. Não tenho qualquer qualificação especial para o efeito, mas como opiniões todos podemos tê-las, em especial se as tentarmos fundamentar e demonstrar, mais uma para o monte não fará grande mal ao mundo e, por outro lado, até me ajudará a sistematizar o meu pensamento sobre o nosso sistema de ensino (público, entenda-se que o privado me escapa um pouco mais) que, nos últimos meses, por vezes poderá ter sido demasiado reactivo, em virtude do contexto actual.

Anúncios