O Prós e Contas de ontem sobre a situação do Ensino Superior trouxe-nos alguns pontos de contacto com o programa feito sobre a Educação Não-Superior, mas também algumas diferenças.

Entre as semelhanças temos uma política governamental que combina uma adesão retóricas às teorias modernaças dos tempos que correm, neste caso a adesão quase acrítica ao processo de Bolonha que, ao contrário do que o Ministro afirmou não se destina a defender a posição dos jovens portugueses no mercado de trabalho europeu, mas principalmente a defender a posição dos portugueses que, indo completar as suas qualificações lá fora, chegavam cá e não viam essas qualificações certificadas, pois a duração e estrutura dos cursos era mais curta do que cá. Conheço vários casos desses, não conhecendo nenhum inverso. Pelo contrário, na área da Engenharia, por exemplo, o que conheço são exemplos contrários de quem chegava lá fora com uma formação bem mais alargada do que as desses países, nomeadamente a Alemanha.

Ainda entre as semelhanças temos a presença de um Ministro e de um sidekick ao seu lado a defender as políticas em causa, de uma forma agressiva, considerando que o látego é a melhor forma de despertar as massas inertes, que neste caso eram os reitores das Universidades.

Uma outra semelhança foi a forma como as vozes críticas da assistência, Adriano Moreira à parte, foram muito mal tratadas deixando-se reitores de miucrofone na mão a falar menos de 30 segundos e outros a fazer figura apenas de corpo presente. Triste e lamentável.

Do lado das diferenças temos um Ministro que, gostemos dele ou não e eu nem gosto muito, soube defender as suas opiniões e posições com argumentos coerentes na sua lógica interna e que, mesmo quando o clima aqueceu, não fugiu às questões nem falou em caricaturas. Perceber do que se fala é sempre uma vantagem, queiramos ou não. Aliás, perceber de um assunto até torna o ataque a essa posição mais difícil porque o interlocutor saber encadear as respostas nas questões. Essa diferença para com MLRodrigues é gritante.

Ainda como diferença registe-se o posicionamento do professor António Nóvoa, por quem nutro especial admiração académica pelos seus trabalhos, que no outro programa se sentou ao lado da Ministra e advogou, mesmo se com um certo distanciamento, uma política de rigor, avaliação e aperto aos docentes do Ensino Não-Superior, mas agora passou para o lado oposto quando o mesmo tipo de política caiu sobre o Ensino Superior. Pois é, os tempos mudam e cabe-nos a todos a fava quando calha. E quando nos calha a nós os dentes ficam doridos e tão mais doridos quanto maior é a surpresa.

Mas sobre as posições do professor António Nóvoa, e da sua ideia de “transbordamento” da Escola que surge no seu depoimento no Parlamento no Debate Nacional sobre a Educação, que recebi por simpatia do leitor PJ, eu espero escrever logo que pique o ponto e passe o meu dia de funcionário docente. Lá para o final da tarde, portanto.