Chegou-me às mãos o número mais recente de A Voz dos Pais, publicação da Confap que demonstra desenvolver uma activa cruzada contra a Escola Pública e os docentes que nela trabalham, excepto uma pequeníssima minoria.

O que poderia ser considerado um exagero da minha parte, deixa de o ser se lerem atentamente a publicação e repararem que em nenhuma parte da publicação é feito qualquer tipo de menção positiva ao trabalho dos docentes e ao desempenho das escolas, que não seja elogio em causa própria. Alinhando naquela tendência do bota-abaixo mais primário contra o sistema educativo e os docentes todos, os textos incluídos são no mesmo sentido de criticar apenas e não se consegue discernir qualquer tipo de atitude positiva.

O mais estranho – ou nem por isso – é o destaque em que surge o Secretário de Estado da Educação Valter Lemos com um daqueles textos automáticos sobre a situação da educação onde todos são chamados a colaborar, mas em que parece que apenas os docentes precisam de efectiva doutrinação, pois apenas para eles é recomendada a visita a um site específico, enquanto a nenhuma das outras partes envolvidas isso é recomendado.

Depois, claro, temos a presença do “bom” professor (de sua graça José Pacheco, professor mas também Mestre em Educação da Criança e membro do CNE para dar mais peso à prosa) da aparentemente única “boa” escola do país, a Escola da Ponte, cujos colegas parecem ser prontos para apontar o dedo acusador e o caminho aos outros, todos estes ao que parece uns tremendos ígnaros e incapazes de ver a Luz que irradia da vila das Aves para todo o país, quiçá para o mundo.

Esta Santa Aliança entre Ministério-Confap-Escola da Ponte já foi vista em outras paragens e os destinatários das críticas e os visados pelos projectéis são sempre os mesmos: essa massa imensa de professores incompetentes e incapazes, essas escolas à espera de ser “reconfiguradas” à imagem do modelo único de qualidade e competência à face deste torrão.

Haja, pois, a paciência indispensável para este discurso paternalista em que os iluminados esperam que, um dia, essa mole indolente e acomodada que são quase todos os docentes vejam finalmente de onde irradia a única sapiência disponível e a sigam quais cordeirinhos bem comportados, atrás dos benévolos pastores.