Radicalidade e coragem, pois, dois ingredientes raros na maioria dos livros que enlixam as prateleiras das livrarias que ainda restam. E mais raros ainda numa obra sobre o universo concentracionário a que alecremente chamamos «comunicação social». Um mundo que por tão obscenamente exposto é tão quotidianamente (mal) falado, nem parece ser o tabu que, na verdade, é.

Um mundo dirigido, em regra, por serventuários dóceis, dessa geração que Serge Halimi, tão bem captou ao descrevê-la como de «jornalistas que a golpes de audácia bem calculados” efectuaram “com êxisto uma bela reconversão do militantismo de extrema-esquerda para o centro-esquerda mediático». Viagem de novos convertidos que lhes acicata o ódio a quem outrora os testemunhou ou simplesmente não pensa como eles, e lhes agiganta o despudor com que disfarçam o embaraço que tantas vezes lhes traz a jornada. Percursos simultaneamente tão desculpabilizadores, tão apaziguadores de consciências mal apagadas, como remuneradores, de bolsos bem recheados. Servido por discursos de lugares-comuns, reenquadrados por meta-discursos a seu respeito constituídos, por seu lado, de lugares-comuns (…). (Vicente Romano, A Formação da Mentalidade Submissa, p. 15)

Afinal Espanha sempre está aqui bem mais perto e com traços bem mais comuns aos nossos do que se pensaria. E o que aqui se transcreve sobre o mundo da comunicação social é facilmente decalcável para outros espaços sociais…