… e não mais do que isso. O que sendo óbvio nem sempre é entendido como tal.

Não é fatalismo, é apenas realismo e é o realismo necessário e indispensável para agir sobre o real que nos circunda. Porque se não for assim estaremos a elaborar teorias sobre algo que não existe, sobre um país que não temos e uma população cujas características parece que gostamos de metamorfosear de acordo com as circunstâncias.

Não sou um adepto dos determinismos sociais ou culturais à moda do século XIX, mas fui cada vez dando mais relevo ao aspecto cultural como condicionador do desenvolvimento das nações, ainda antes de ler o já clássico A Riqueza e a Pobreza das Nações de David Landes.

Neste caso, vou apenas destacar um detalhe das estatísticas disponíveis nos anos 90 sobre os meios familiares dos alunos do 8º ano que participaram no 3º Estudo Internacional de Matemática e Ciências (TIMSS) e que estão publicadas nas pp. 123-124 da obra reproduzida, entre outros números igualmente interessantes.

Quando inquiridos se possuíam em casa mais de 25 livros, apenas 64% dos alunos portugueses responderam afirmativamente, o que equivaleria a um 32º lugar em 38 países (claro que a Escandinávia, Canadá e Austrália apresentavam valores próximos ou mesmo acima dos 90%). E no caso da existência de um computador, o valor descia para 39%, que mesmo assim corresponderia a um melhorzito 28º lugar (89% na Inglaterra, 85% na Holanda, perto de 80% nos “suspeitos do costume).

Podem tentar convencer-me que se podem fazer omoletes saborosas com ovos de codorniz, daqueles minúsculos, mas fazê-las mesmo sem ovos e apenas com a frigideira e a gordura mais do nosso agrado já acho um bocadinho mais difícil. Não é uma questão de determinismo ou de fatalismo, é mesmo de falta dos ditos ovos.