Um tipo meter-se a montar uma Feira do Livro numa escola não é novidade, agora tentar fazer a coisa de forma descontraída, pausada e tentando não sobrecarregar os colegas com trabalho, mas tendo uns 25 caixotes de livros à espera para desempacotar e colocar preços não é realmente de ninguém com verdadeira sanidade mental. Dia quase inteiro na Escola, apenas para sair e descobrir que estava sem guarda-chuva e o carro a uns 100 metros. Que bela sopa.

Mas entretanto há coisas que compensam. Como estamos quase no fim do 1º período e ainda não chegaram os livros pagos com os dinheirinhos do Plano Nacional da Leitura, lá se vai fazendo o que se pode com o que há pela Biblioteca Escolar e Familiar. Desde a semana passada estou com dois 6ºs anos a passar pelo Cavaleiro Lua Cheia da Susanna Tamaro, que para adultos é uma autora um bocadito (bocadão, bocadão) demais para o delicodoce, mas que neste caso nem por isso.

Para quem diz que os miúdos já não gostam de ler, eu continuo a dizer que isso só acontece se lhes não despertarem o gosto pela leitura com textos que os façam mexer um bocadinho e divertir-se ao mesmo tempo. Agora com Tioneus está tudo feito num oito. Como são 100 páginas de livro e não se deve fotocopiar uma obra e tudo isso, anunciei que iria fazer uns saltos na história ou adaptações de capítulos. Protesto geral. Agora querem todos saber a história do gorducho Miguel.

Apesar da roupa toda ensopada, da chiadeira do carro transformado em catamarã e da chegada a casa de toda a família perto das 19 horas, depois da saída pelas 9.30, a alma vem mais morninha. E por momentos quase fico tão delicodoce como uma Susanna Tamaro para adultos. A vida de funcionário-docente tem destas coisas.