… aula de substituição. Até este momento as minhas e meus colegas tinham tido o bom senso de evitar as faltas no bloco intermédio da tarde das 5ªs feiras. Mas hoje lá teve que ser e fui substitui uma colega de Ciências que em virtude de uma cirurgia está em convalescença e sem possibilidades de dar aulas. Ao que parece já não é impeditivo de chegar a titular e se calhar até estava à espera dessa confirmação para poder adoecer. Nos tempos que correm uma pessoa tem de adaptar-se às circunstâncias pois então.

Mas o que interessa é que fui confrontado com uma turma de 5º ano absolutamente desconhecida com a qual foi preciso quebrar o gelo, tentar fixar rapidamente o nome de meia dúzia de elementos claramente a pedirem medidas de remediação comportamental e lá vamos nós.

Escusam de me apontar a inanidade da ideia, mas acabei por solicitar-lhes que fizessem um pequeno texto de apresentação de si mesmos, anonimamente, para eu depois ler para o grupo tentar identificar o autor.

Recebi a dúzia e meia de textos e entre eles, salvo raras excepções bastante fraquinhos, o que reproduzo na imagem, que foi feito de forma séria, com algum esforço e concentração, não sendo uma brincadeira para chatear o substituto.

Resta dizer que o aluno tem 15 anos, pelo que percebi chegou há pouco tempo à turma e eventualmente a Portugal de um PALOP, e, acredite-se ou não, está no 5º ano. Neste momento estou seriamente preocupado com ele, com o meu colega que lhe lecciona Língua Portuguesa (e com os outros também) e com todo o sistema que faz com que ele esteja ali, naquela sala, praticamente indefeso.

Porque é triste. Pelo menos, para mim, isto tudo está profundamente errado.