Na primeira página do Expresso – com um pequeno desenvolvimento na página 16 do miolo – vem a notícia de que, afinal, tavez, porventura, pensando bem e agora que nos lembrámos disso, já agora, a ideia de implementar a TLEBS de forma generalizada já este ano talvez não seja – digamos assim – a 3245ª melhor ideia que o Ministério da Educação teve nos últimos tempos.

Portanto, afirma-se que este ano continua a ser experimental e que a “nova linguística” até pode vir a ser recusada. Nem vou começar aqui a criticar o modo fluido como a TLEBS passa por ser uma nova gramática, uma nova linguística e uma nova qualquer outra coisa, quando não é exactamente nada disso.

Perante isto, vou apenas destacar dois pontos, do ponto de vista do utilizador não conhecedor dos meandros da coisa, que gente mais informada e avisada afirma serem esconsos e nem sempre claros:

  1. O Ministério da Educação deveria, de uma vez por todas, acabar com esta ideia peregrina, de fazer experiências-piloto muito restritas e localizadas e depois, num golpe de mágica querer que elas se generalizem sem uma formação adequada dos docentes nem a disponibilização de materiais de apoio de qualidade. Lembremo-nos que nenhum – nenhum mesmo – docente que esteja na carreira ou seja mero contratado teve um vislumbre da TLEBS na sua formação académica ou profissional, tirando os envolvidos na pilotagem da experiência.
  2. A generalização da TLEBS deveria ter, mais do que uma mera calendarização, um roteiro para a sua implementação diferenciada nos diferentes ciclos do sistema de ensino. O que eu percebo é que, já estando mais implantada no Secundário, parece ter-se considerado que tudo se espraiaria de forma muito natural pelos três ciclos do Ensino Básico. Ora eu tenho uma opinião bem contrária, achando que em vez de uma introdução simultânea em todos os ciclos, deveria acontecer a partir do 1º ciclos e depois sucessivamente no 2º e 3º, de uma forma progressiva e com uma clara definição dos níveis de complexidade na sua aplicação.

Por fim, e como detalhe adicional, seria de todo o interesse o ME ter alguma atenção nos materiais de apoio que coloca online, não se limitando a depositá-los tal como foram produzidos. É que, olhando para algumas daquelas fichas de trabalho e outros materiais, posso correr o risco de achar que faço coisas realmente com muito melhor aspecto e qualidade. E nem é o caso, pois não sou eu que sou bom, algumas daquelas coisas é que são manifestamente assim para o fraquito.

Para um sumário dos anteriores movimentos em torno deste tema ler este post d’ A Educação Cor-de-Rosa.