Pode ser uma ideia perfeitamente disparatada, mas eu nunca aqui escrevi que tenho os neurónios todos no alinhamento certo. Faço por isso, ou melhor, disfarço por isso, mas nem sempre consigo. E depois da discussão em torno do post Efeito Boomerang, fiquei a pensar o que poderíamos fazer “de novo” e que nem fosse uma estratégia de luta tipo piloto-automático, nem acabasse por nos prejudicar apenas a nós (embora, a contracorrente, ache que agora as greves de professores a sério até têm mais impacto do quie há 20 anos), nem passasse apenas por aquelas iniciativas simbólicas e de alegre convívio para os participantes, mas pouco eficazes.

Estando fora de causa a boa e velha breve à antiga britânica que a Thatcher enfrentou – por tempo indefinido com os sindicatos a accionarem os fundos de greve criados para esse efeito, que por cá nunca foram ideia muito popular – só ainda me consegui lembrar de

uma não-greve.

Eu explico: em vez da greve tradicional com pré-aviso e tal (com perdas salariais acumuladas que provocam “encolhas” e os subreptícios artigos 102 a entrarem nas secretarias para o Ministério descontar nos níveis de adesão), eu sugeria que os sindicatos convidassem os professores todos a faltarem de forma simultânea um dia (ou dois) por conta das férias. Eu sei que existem obstáculos à exequibilidade da ideia – desde logo as burocráticas – mas olhem que se tivesse a adesão da anterior greve não me parece que fosse possível aos Conselhos Executivos ou Ministério contrariá-la ou penalizar os aderentes, sendo que seria uma pedrada – antes um pedregulho – no charco e algo profundamente perturbador para as boas consciências e os opinadores alinhados.