Por manifesta falta de tempo, pois esperam-me umas dezenas de fichas de avaliação com ar pouco sorridente para serem corrigidas.

Saiu esta semana o Decreto-Lei nº 224/2006 sobre o “destino” a dar aos professores considerados incapacitados para a docência. Não o li ainda a fundo, ou melhor, ainda não o consegui perceber por completo nas suas implicações.

Mas o que não percebi verdadeiramente foi porque – se são consistentes as declarações do Secretário de Estado Valter Lemos sobre os docentes, em especial de QZP, com horário não atribuído  – este assunto ou “problema” não foi resolvido em articulação com este dos chamados “horário zero”.

Sei que são situações, na origem, bem diversas. Mas, na prática, têm muitos pontos de contacto. Um docente incapacitado para o ensino por esta ou aquela condição pode desempenhar outras funções na Escola, tal como se pretende que aconteça com os tais infelizes detentores de “horário zero”. Então, porque obrigá-lo a, em três meses, reconverter-se em algo diferente? Em especial, quando se trata de pessoas com situações de alguma debilidade física ou psicológica?

Será mania minha, mas continuo a achar esta solução eticamente muito reprovável e, repito-o, demasiado próxima de noções eugénicas. Mandar embora o que se usou quando já não serve, pode ter muita lógica do ponto de vista da gestão organizacional e tal, mas estamos a falar de pessoas, não de máquinas.