Quem se quiser dar ao trabalho de consultar o documento relativo ao Orçamento do ME para o próximo ano, pode aceder aos números sobre a evolução prevista da despesa entre 2006 e 2007 e aí talvez entenda o emaranhado em que por vezes acabam as declarações ministeriais, sempre que metem números.

A realidade é de um evidente desinvestimento no sector (-5,4% no Orçamento de Funcionamento da rubrica “Ensino”, cf. p. 7), com um acréscimo dos valores para o Ensino Pré-Escolar abaixo da taxa de inflação e uma diminuição real de 10% nos Ensinos Básico e Secundário (-7,5% a que se deve acrescer o valor da dita inflacção, que andará pelos 2,5 a 3%), o que é um brutal tratamento de choque. A Educação Especial, sector especialmente sensível, leva com menos 4,1% o que é de estranhar perante o discurso que afirma terem-se reforçado os meios nesta área. Só o Ensino Profissional recebe um substancial reforço de verbas, mas partindo de um nível muito baixo.

Estamos em crise, já percebemos, e a Educação não é claramente uma prioridade como se pode perceber, apesar da retórica do Primeiro-Ministro.

E a conversa sobre o grande peso da rubrica “Despesas com o Pessoal” (c. 80%) só tem justificação porque as verbas das restantes rubricas, nomeadamente o investimento na actualização dos equipamentos, são baixíssimas em comparação com o que se faz naqueles países-modelo como os escandinavos.

Veja-se, a título de mero exemplo, o caso da anunciada dotação das Escolas com computadores portáteis logo em Maio deste ano. Quantas Escolas já os receberam? Eu, por enquanto, se quiser usar um data-show nas aulas preciso de levar o meu portátil para a Escola, o mesmo que não consigo deduzir nos meus impostos porque parece que não é qualificável em nenhuma rubrica.