Porque precisará um professor de ser incentivado para trabalhar, pergunta um comentador.

Já lhe respondi que acho que todo o trabalhador deve ser incentivado – nem que seja por palavras de algum apreço – para desempenhar melhor a sua função por parte de quem é o seu superior hierárquico, em especial se for o responsável mais alto pela sua actividade, seja patrão ou tutela (a diferença não é muita, nos tempos que passam).

Mas posso dar uma achega daquelas pouco profundas de teorização e simplesmente decorrentes do quotidiano de todos nós. Enquanto os médicos não levam os doentes para casa, ou arquitectos e advogados por regra se fazem pagar pelas horas que gastam a tratar dos assuntos dos seus clientes, ou um qualquer funcionário da máquina fisacal ou judicial do Estado não leva os processos para casa (acho mesmo que é ilegal), os professores vêm quase sempre carregadinhos de oferendas para se ocuparem nos tempos livres em casa, tipo palavras cruzadas.

Grande parte deste Domingo foi passada a ver fichas de trabalho dos alunos, a preparar materiais de avaliação novinhos em folha já com uns pózinhos da TLEBS (as “novas” frases de tipo “persuasivo” fizeram a sua entrada em cena), assim como – devido à greve de funcionários nos final da semana passada – a impressão da primeira turma de amanhã teve de ser feita à custa dos tinteiros domésticos.

São coisas comezinhas, corriqueiras, sem aparente relevância para quem olha de fora e diz bahhhh…, mas eu gostaria de os ver aqui, já lá se cantava numa cantiga dos meus tempos de juventude.