Sexta-feira, 10 de Novembro, 2006


E agora vou ver se adiciono mais umas pranchas ao Tutorman (pelo menos até à p. 6 de 8), também do Antero Valério.

Anúncios

Durante esta semana fui tendo notícias de algumas “baixas” ao efectivo de colegas, mais próximas ou mais afastadas, quase sempre por motivos psicológicos, de acumulação de cansaço e stress. Todos os anos acontece o mesmo, ainda durante o primeiro período, com a “depressão” a fazer a sua ceifa habitual, agora agravada pela sobrecarga horária exigida em troca do mesmo retorno e de cada vez menor estima.

Claro que os críticos habituais devem achar que estas pessoas não deviam estar na docência se não aguentam com as exigências da função. Ora até nem é de estranhar que muitas destas pessoas que mais facilmente acabam por ser atingidas pelo desânimo sejam exactamente daquelas que vieram para a profissão por vocação e ilusão. O choque com a realidade, em especial em estabelecimentos de ensino mais problemáticos, é demasiado forte em muitos casos.

É mais fácil quem acabou por vir para a docência como opção, depois de ter experimentado outros mundos e outras realidades laborais, resistir à pressão, porque acaba por ter uma maior capacidade de choque e porque teve hipótese de fazer a tal opção, por esta ou aquela razão.

Quem fez a sua formação para a docência e ingressou nela por acreditar que era aquilo de que gostava e onde se realizaria, ao confrontar-se com a impossibilidade de concretizar as suas aspirações, ao sentir-se permanentemente enxovalhado(a) a todos os níveis com a tutela à cabeça e de dedo em riste, ao ver que ainda em cima de tudo lhe querem garrotar a progressão e penalizar por danos que lhe são provocados pelo exercício da função a que se dedicaram, é natural que se vá abaixo. E é óbvio que as faltas que der enquanto procura recuperar irão ser usadas contra si, individualmente para lhe cortar as hipóteses de progressão, e contra a sua classe profissional, enquanto grupo acusado de absentismo relapso.

Ahh… e claro que não é uma prova de acesso ou ingresso, escrita ou oral, que permite seleccionar quem está apto para interagir diariamente com uma, ou mesmo meia, centena de crianças, jovens e/ou adolescentes,

Mas, infelizmente, é aquilo com que (con)vivemos no nosso dia-a-dia. A tentativa de dar o melhor, de não ser reconhecido por isso e de ainda ser acusado de incompetência por quem nos deveria, no mínimo, encorajar e estimular, mas só se preocupa em saber como mais uns tostões poupar.

A TLEBS vai ganhando “adeptos” em vários sectores. Esta semana foram, por exemplo, José Júdice (Destak) e Ricardo Araújo Pereira (Visão) a zurzirem na dita, cada um ao seu jeito e com a sua graça.

Para além das referências, este espaço também pode servir para os mais interessados continuarem a sua animada discussão num post mais à vista de todos.