Na última página da revista Visão de hoje José Gil faz um dos mais belos textos sobre a situação de incompreensão da parte da Ministra e da sua equipa para com a classe docente. O seu diagnóstico é claro e coloca o dedo em todas as feridas, com destaque para a ausência de qualquer tipo de incentivo para com os professores por parte da Ministra, enquando se multiplicam as menções directa ou indirectamente ofensivas para os professores no seu todo ou para os seus sindicatos representativos que, por uma vez unidos numa plataforma comu, até são mesmo representativos da classe.

No entanto, e na linha de outras inclinações visionárias em favor desta Ministra, o destaque escolhido do conjunto do texto (assinalado por mim a verde) é uma passagem que pretende dar uma ideia completamente diversa do seu conteúdo, apresentando uma declaração isolada que parece insinuar que o texto escrito é sobre outro assunto, como se fosse apenas e só sobre a relação entre um eventual insucesso da política educativa e o fracasso de toda a política orçamental.

Quem ler o texto percebe que esta é uma digressão lateral à sua essência, mas a equipa editorial da Visão – será que andou por ali teclado de Paulo Chitas – preferiu destacar o detalhe por sobre a substância da mensagem de José Gil que é fortemente crítica da acção do Ministério.

Em vez de se salientar uma frase que dessse uma ideia do conteúdo geral do artigo de opinião, prefere insinuar-se que J. Gil estabelece uma relação directa entre o insucesso da Ministra e o fracasso de todo o Governo, como se fosse dela que dependesse todo o Orçamento. A estratégia editorial, a mim, parece-me intelectualmente muito desonesta, tanto para o autor como para os leitores, mas como provavelmente o objectivo era apenas dar uma ideia geral a quem lê estes artigos na transversal, o trabalho foi “bem feito”.