… a revista Pontos nos ii de Novembro decidiu comparar o discurso actual da actual eminência parda (será um Richelieu ou um Mazarino?) da equipa ministerial que tem negociado com os sindicatos sobre a carreira docente com o seu discurso enquanto líder sindical dos docentes do Ensino Superior.

Tal como Valter Lemos que também hoje surge ao serviço de uma política completamente contrária ao que escreveu há uma dúzia de anos, Jorge Pedreira também aparece agora como paladino de um sistema que enquanto presidente do SNESUP procurou combater de forma activa.

Todos podemos mudar de ideias, eu sei, mas a mim afligem-me as tergiversões quando as pessoas já deveriam ter uma opinião formada sobre certos assuntos. É que não estamos a escrever sobre desvarios ideológicos da juventude. Estamos a falar de pessoas já perfeitamente conscientes das suas opções, que se acredita terem estudado os temas antes de emitirem opiniões quando ocupam lugares de responsabilidade.

Em 1997, Jorge Pedreira-sindicalista achava que as limitações artificiais à progressão dos docentes no Ensino Superior eram más, injustas e que desmotivavam e desencorajavam as pessoas por cortar-lhes as perspectivas de progressão, não correspondendo a uma correcta recompensa do mérito.

Desde 2005, Jorge Pedreira-governante acha exactamente o contrário e contradiz-se a si mesmo com o maior dos despudores. Das duas três, ou JP-sindicalista estava errado nas suas posições, ou JP-governante é que se encontra equivocado. A menos que seja válida a terceira hipótese: a de que não são as opiniões que mudam, são os lugares que se ocupam, sendo que as opiniões que se expressam acompanham as circunstâncias e não as convicções.