Na troca de opiniões que se vai estendendo em alguns posts noto a permanência da utilização da expressão “topo de carreira” para definir a fase final da carreira docente, servindo isso para o argumento de não ser a docência diferente de outras carreiras, no sector público ou privado, em que nem todos os seus elementos atingem esse patamar.

O problema é que sendo a docência caracterizada pela horizontalidade e pela inexistência de categorias na carreira, o que actualmente existe é um “topo salarial” baseado na antiguidade, algo que como muitos saberão não é assim uma coisa tão estranha. O sistema de diuturnidades não passa disso mesmo. Um sargento, mesmo permanecendo sargento, vai ganhando mais com a antiguidade. Pode achar-se mal, mas é o que existe. E foi criado para evitar que a docência tivesse algum atractivo e, quando era necessário manter no ensino público bons profissionais, eles não debandassem para outras paragens. Pode querer-se mudar o sistema, o que não se deve é baralhar as coisas e justificar as decisões com interesses meritocráticos ou de compensação dos melhores.

Ora o que se pretende actualmente não é evitar que os professores cheguem a um inexistente topo de carreira, mas tão só e apenas vedar-lhes o referido topo salarial que actualmente lhes é acessível.

Se o que estivesse em causa fosse mesmo recompensar o mérito, então a criação de níveis na carreira implicaria a criação de uma remuneração extra para essas categorias mais elevadas e isso teria todo o sentido. Só o que se quer não é, dentro de uma carreira já existente com apenas uma categoria, sobrepôr-lhe outra(s) que motive(m) os docentes para a exaltada excelência, mas simplesmente barrar a progressão salarial da maior parte. Apenas isso e mais nada. E perante tal facto, não há teoria da gestão que possa valer.