É como os professores vão ficando à medida que todos se parecem converter aos méritos da avaliação com base em quotas com diversos argumentos (hoje foi Marcelo Rebelo de Sousa, mais um dos que não contestam a substância mas apenas a forma), qual deles o que acho mais desadequado, desde o desejo do “todos iguais” no aparelhismo estatal que me soa a qualquer coisa que pensava ter passado de moda ao problema “das mentalidades” que alegadamente impede que uma avaliação seja feita de forma diferenciada na carreira docente.

A todos esses defensores da avaliação com base em quotas que distingam o mérito, eu deixarei aqui, pela enésima vez, mas talvez com formulação mais curta e grossa, a forma que acho correcta que resolver essa questão de forma justa, se é verdade que o que se pretende é distinguir o mérito, e nesse caso até aceito a ideia geral da proposta:

  1. Antes de mais, usem a actual carreira como base para a generalidade dos docentes que têm um desempenho satisfatório ou bom e discriminem positivamente os Muito Bons e Excelentes e negativamente os que apresentam uma má qualidade no seu trabalho. Para uns criem lá então uma categoria especial, mas façam-no de forma positiva, pois agora aos Excelentes apenas garantem que chegarão onde já chegavam, só que em mais tempo.
  2. Em seguida, se acham que uma adequada classificação entre pares é impossível por “causa das mentalidades” e dos hábitos enraízados, então coloquem a Inspecção Geral do Ensino a funcionar como deve ser, de olhos abertos e com gente competente a fazer tal avaliação, em vez de andarem a perder tempo com minudências administrativas e burocráticas que em nada influem de forma relevante na vida das escolas, enquanto deixam passar debaixo dos olhos situações das mais escabrosas, mesmo quando são objecto de denúncias bem claras. É que o desempenho da IGE e a sua cegueira, por exemplo, são das coisas que mais me impressiona quando ouço relatos do seu rigor no pormenor e da sua incapacidade para detectar o pormaior.

Com estas duas simples medidas, compensação positiva e negativa dos que se destacam de uma forma ou de outra e avaliação “externa” competente e a sério, seria possível um sistema mais justo e meritocrático.

Enquanto as medidas propostas visarem apenas criar bloqueios à progressão salarial, mascarando isso como “topos de carreira”, todos percebemos ao que andam, confessemo-lo ou não.